Mercedes-Benz

Ups! Mercedes recorda que, sem ela, não havia Audi

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Numa época de acesa disputa entre os três fabricantes de luxo, a Mercedes foi ao baú da história recordar que sem ela não havia Audi. E a verdade é que foi ela que a salvou em 1958, adquirindo 87%.

Audi, BMW e Mercedes disputam entre si o grosso das vendas no que respeita aos automóveis de luxo, na Alemanha e fora dela. Tudo gira em torno destes três respeitados fabricantes, mas a luta pelas vendas e pela melhor tecnologia faz aquecer o ambiente entre os três, com o tema da conversa a ser necessariamente quem é o maior, o mais dinâmico e o mais importante. Esta batalha conheceu recentemente mais um episódio, quando a Mercedes resolveu comemorar os 60 anos que decorreram desde que salvou a Audi da falência.

Em 1958 a Auto Union, que resultou da fusão entre a Audi, Horch, DKW e Wanderer, passava ainda por grandes dificuldades económicas, em parte porque a maioria das suas instalações ficaram na Alemanha dominada pelos russos, que trataram de desmantelar as linhas de produção e levá-las para a União Soviética. Valeu-lhes então Friedrich Flick, um alemão que era simultaneamente o maior accionista da rica Mercedes e da pobre Auto Union.

Como industrial que era, Flick percebeu as dificuldades que esta última enfrentava e tratou de convencer – talvez o termo correcto seja ‘obrigar’ – a Mercedes a adquiri-la, no que podia constituir uma excelente oportunidade de negócio. E é exactamente a este momento que a Mercedes faz referência num comunicado, em que afirma que foi ela que salvou a Audi.

A boa ideia que se transformou num erro

A decisão da Mercedes em celebrar o 60º aniversário do salvamento da Audi – que na realidade era a Auto Union, onde estavam inseridos mais três fabricantes alemães – foi uma “maldadinha” que uns alemães resolveram fazer aos outros. Mas analisando a situação ao pormenor, a Mercedes pode ter falhado em parte o seu objectivo, ao chamar a atenção para um episódio da história, em que acaba por não sair muito bem na fotografia.

Flick em Nuremberga, integrado nos julgamentos aos principais responsáveis pela Alemanha nazi, onde foi condenado e preso durante sete anos

Flick foi um grande industrial, que se movimentava sobretudo nas áreas do aço e do carvão. Fez fortuna durante a Primeira Grande Guerra, para na segunda se tornar no mais rico da Alemanha. Mas tinha ‘uns cadáveres escondidos no armário’, já que o industrial não só era nazi, como inclusivamente integrou um dos julgamentos em Nuremberga, reservados a alemães nazis. E aí não só Friedrich Flick foi considerado culpado, e consequentemente preso, como ficou ainda provado que o accionista principal da Mercedes recorria a trabalho de escravos nas suas fábricas – essencialmente judeus, mas não só –, e que era íntimo de Heinrich Himmler, um dos nazis mais poderosos durante a II Guerra Mundial, que seria considerado um dos maiores responsáveis pelo holocausto.

Flick seria libertado da prisão passados sete anos e continuaria a desenvolver o seu portefólio de empresas, tendo pressionado a Mercedes a adquirir a Auto Union, para se reforçar e eliminar um futuro concorrente. O governo alemão recheou-o de distinções e comendas, mas nunca o conseguiu livrar do estatuto de condenado de Nuremberga. Quanto à Mercedes, acabaria por vender a Auto Union (de que só sobreviveu a Audi) à Volkswagen, 50% em 1964 e o restante em 1966.

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