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A dívida nas economias desenvolvidas já é superior ao valor de todos os bens e serviços produzidos num ano, níveis que não se viam desde a Segunda Guerra Mundial, e a dívida mundial já é mais de o dobro de todos os bens e serviços produzidos num determinado ano, alertou esta quarta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI). Organização pediu contenção aos países e para que estes aproveitem os bons tempos para se colocarem as contas em ordem.

No Fiscal Monitor, uma publicação regular da responsabilidade do departamento liderado por Vítor Gaspar (agora diretor na organização), o Fundo deixa vários avisos aos países, a começar pelos próprios números.

A dívida total da economia mundial deverá atingir os 225%, 12 pontos percentuais acima do seu recorde histórico, atingido no ano de 2009, o primeiro após a queda do Lehman Brothers.

Boa parte deste aumento deve-se ao crescente endividamento da economia chinesa, a segunda maior economia do mundo e que tinha níveis de dívida baixos até à última década. Mas os Estados Unidos também deverão contribuir para o crescimento da dívida devido ao aumento esperado na dívida pública resultante dos planos de Donald Trump, em especial da sua reforma do sistema fiscal.

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Segundo o Fundo, a dívida das economias desenvolvidas estará, em média, nos 105% do PIB, um nível que não se via desde a Segunda Guerra Mundial, e nas economias emergentes deverá rondar os 50% do PIB, níveis que não se viam desde a crise asiática dos anos 80.

“As dívidas e défices elevados são motivo de preocupação. Os países com dívidas públicas elevadas estão mais vulneráveis a deteriorações súbitas nas condições de financiamento a nível global, que podem colocar em causa o acesso aos mercados e pôr em risco a atividade económica”, alerta o FMI.

O Fundo diz que os encargos com esta dívida têm vindo a crescer e que é agora necessário o dobro das receitas fiscais para pagar a fatura dos juros da dívida. A instituição liderada por Christine Lagarde defende que as economias têm de continuar a reduzir as suas dívidas – pública e privada – e para isso devem aproveitar o bom momento que a economia mundial atravessa para poupar para as alturas mais difíceis.

O Fundo deixa também um alerta aos países para que não coloquem em prática políticas expansionistas nesta fase de crescimento, até porque os estímulos orçamentais que são colocados em prática perdem eficácia. “Construir almofadas agora irá ajudar a proteger a economia, criando espaço para que a política orçamental possa atuar em caso de recessão e reduzindo o risco de dificuldades de financiamento caso as condições de financiamento globais mudem subitamente”, diz ainda o Fundo.