Dois anos depois da polémica com o tratamento de alunos homossexuais, a tensão entre alunos e oficiais volta a sentir-se no Colégio Militar. O Diário de Notícias escreve este domingo que a direção da instituição de ensino do Exército suspendeu 19 dos 27 alunos do 12º ano, depois de uma ação de protesto contra oficiais do Corpo de Alunos que levou os jovens a uma autodesgraduação em bloco.

Até que os inquéritos internos estejam concluídos — e, diz o Exército ao Observador, a um mês dos exames finais, não há data prevista para que isso aconteça —, os alunos internos passaram a externos. Ou seja, além de terem sido suspensos das atividades letivas durante cinco dias, “como acontece em dezenas de instituições de ensino em Portugal”, sublinha aquele ramo, os alunos em regime de internato deixaram de poder pernoitar no Colégio Militar e passaram a ter de ir dormir a casa. Essa decisão manteve-se para lá dos cinco dias de suspensão letiva e continua em vigor.

As suspensões, escreve o Diário de Notícias, foram aplicadas depois de os alunos terem decidido autodesgraduar-se. Essa decisão, concretiza o jornal, foi a forma de protesto encontrada pelos alunos do 12º para contestar as punições aplicadas aos comandantes da 3ª e 4ª companhias que, entre outras situações, terão entrado em instalações dos oficiais do Exército que lhes estavam vedadas. Os alunos reconheceram o erro mas a punição (a desgraduação) avançou à mesma e, por considerarem a pena demasiado pesada, outros alunos protestaram em solidariedade com os comandantes.

“A suspensão de actividades escolares está prevista, também, pelo Ministério da Educação” nas suas linhas de orientação pedagógica, assinala o porta-voz do Exército ao Observador. O tenente-coronel Vicente Pereira refere que “os pais conhecem” as regras do colégio, tal como os alunos, e “sabiam que, tomando determinadas atitudes, haveria uma consequência”, prevista no regulamento interno da instituição.

Vicente Pereira reconhece que “houve uma alteração da normalidade” da vida do colégio mas lembra que nenhuma decisão foi tomada à revelia dos pais e dos encarregados de educação dos alunos. Também sublinha que, apesar de impedidos de frequentar as instalações do Corpo de Alunos, os jovens puderam “circular por todo o lado, inclusive pelo refeitório, que está instalado na zona de internato do colégio”.