Rádio Observador

Direção Geral da Saúde

Autores de campanha antitabágica reagem: “As pessoas perderam completamente a noção?”

4.375

Realizador e autoras do argumento da campanha antitabágica classificada de "misógina" e "sexista" consideram as críticas absolutamente infundadas. Estão a "manchar o nome ‘feminismo’", criticam.

Os autores da polémica campanha antitabágica, cujo slogan (“Uma princesa não fuma”) foi rotulado de sexista, consideram as críticas de que foram alvo completamente infundadas e desproporcionais. “As pessoas perderam completamente a noção?”, reagiu André Badalo o realizador da campanha  “Opte por Amar Mais”, da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Lançada na quarta-feira, a campanha tem merecido duras críticas por parte de movimentos feministas e não só. O Bloco de Esquerda foi o único partido político a reagir formalmente à iniciativa da DGS, considerando-a “sexista” e “desajustada” e desafiando o Governo a revê-la.

Isabel Moreira, deputada do PS, classificou a campanha de “misógina e culpabilizante das mulheres” e a associação “Capazes”, assim como o Movimento Democrático de Mulheres e a UMAR — Associação União das Mulheres Alternativa e Resposta, apresentaram queixas junto da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, que já veio publicamente o recurso a “estereótipos discriminatórios, os quais são igualmente prejudiciais à vida das mulheres e dos homens na nossa sociedade”.

Em declarações ao jornal Público, André Badalo disse não perceber as críticas. “As pessoas perderam completamente a noção? As mães e as primas e as tias que nunca chamaram princesa a uma miúda de oito anos que se levantem e que se acusem. Desde quando se tornou ofensivo dizer, numa festa ou num jantar, ‘Olá, princesa, estás tão bonita’?”, interroga-se o realizador.

Também Beatriz Moreira, uma das duas jovens de 18 anos, alunas da Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto, que idealizaram a campanha, assumiu não perceber a polémica. “Essas pessoas que se consideram feministas são na verdade aquelas que mancham o nome ‘feminismo’. Eu, mulher e feminista, durante a minha infância brinquei com rapazes, esfolei joelhos e recusei usar saias, mas nunca deixei de ser a princesa da minha mãe, do meu pai e dos meus avós”, sublinhou.

Fátima Ferraz, a outra coautora do argumento, diz-se “magoada” com comentários que a campanha suscitou. “Quando dizemos ‘Opte por amar mais’, o que queremos é dizer que as pessoas devem cuidar de si; pensar mais no valor da sua própria vida”, explicou.

A atriz Paula Neves também defendeu a intenção dos autores da campanha. “Não [se] pretende generalizar nem definir todas as crianças como princesas. É um nome carinhoso que tanto pais como mães usam com as suas filhas. Não pretende condicionar ninguém, mas apenas refletir uma realidade que nem sempre é aquela que as pessoas gostariam que fosse”, afirmou, em declarações ao mesmo jornal.

Confrontada com as críticas, Graça Freitas, diretora-geral da DGS, explicou que a campanha antitabágica tem como objetivo diminuir o consumo de tabaco nas mulheres mais jovens, que são quem mais está a fuma, mas admitiu alterações à campanha, “se [tal] se verificar que é útil”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Toxicodependência

Fernanda Câncio, a droga não é "cool"

Henrique Pinto de Mesquita
2.827

Venha ao Bairro do Pinheiro Torres no Porto. Apanhamos o 204 e passamos lá uma hora. Verá que as pessoas que consomem em festivais não são bem as mesmas que estão deitadas nas ruas do Pinheiro Torres.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)