Direção Geral da Saúde

Autores de campanha antitabágica reagem: “As pessoas perderam completamente a noção?”

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Realizador e autoras do argumento da campanha antitabágica classificada de "misógina" e "sexista" consideram as críticas absolutamente infundadas. Estão a "manchar o nome ‘feminismo’", criticam.

Os autores da polémica campanha antitabágica, cujo slogan (“Uma princesa não fuma”) foi rotulado de sexista, consideram as críticas de que foram alvo completamente infundadas e desproporcionais. “As pessoas perderam completamente a noção?”, reagiu André Badalo o realizador da campanha  “Opte por Amar Mais”, da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Lançada na quarta-feira, a campanha tem merecido duras críticas por parte de movimentos feministas e não só. O Bloco de Esquerda foi o único partido político a reagir formalmente à iniciativa da DGS, considerando-a “sexista” e “desajustada” e desafiando o Governo a revê-la.

Isabel Moreira, deputada do PS, classificou a campanha de “misógina e culpabilizante das mulheres” e a associação “Capazes”, assim como o Movimento Democrático de Mulheres e a UMAR — Associação União das Mulheres Alternativa e Resposta, apresentaram queixas junto da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, que já veio publicamente o recurso a “estereótipos discriminatórios, os quais são igualmente prejudiciais à vida das mulheres e dos homens na nossa sociedade”.

Em declarações ao jornal Público, André Badalo disse não perceber as críticas. “As pessoas perderam completamente a noção? As mães e as primas e as tias que nunca chamaram princesa a uma miúda de oito anos que se levantem e que se acusem. Desde quando se tornou ofensivo dizer, numa festa ou num jantar, ‘Olá, princesa, estás tão bonita’?”, interroga-se o realizador.

Também Beatriz Moreira, uma das duas jovens de 18 anos, alunas da Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto, que idealizaram a campanha, assumiu não perceber a polémica. “Essas pessoas que se consideram feministas são na verdade aquelas que mancham o nome ‘feminismo’. Eu, mulher e feminista, durante a minha infância brinquei com rapazes, esfolei joelhos e recusei usar saias, mas nunca deixei de ser a princesa da minha mãe, do meu pai e dos meus avós”, sublinhou.

Fátima Ferraz, a outra coautora do argumento, diz-se “magoada” com comentários que a campanha suscitou. “Quando dizemos ‘Opte por amar mais’, o que queremos é dizer que as pessoas devem cuidar de si; pensar mais no valor da sua própria vida”, explicou.

A atriz Paula Neves também defendeu a intenção dos autores da campanha. “Não [se] pretende generalizar nem definir todas as crianças como princesas. É um nome carinhoso que tanto pais como mães usam com as suas filhas. Não pretende condicionar ninguém, mas apenas refletir uma realidade que nem sempre é aquela que as pessoas gostariam que fosse”, afirmou, em declarações ao mesmo jornal.

Confrontada com as críticas, Graça Freitas, diretora-geral da DGS, explicou que a campanha antitabágica tem como objetivo diminuir o consumo de tabaco nas mulheres mais jovens, que são quem mais está a fuma, mas admitiu alterações à campanha, “se [tal] se verificar que é útil”.

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