São escassos, neste Mundial da Rússia, os jogos que pouco ou nada têm para contar. Mesmo aqueles entre seleções ditas mais fracas, na fase de grupos, tiveram um grande golo, um penálti falhado, uma ou outra curiosidade que tornaram 90 minutos de futebol de menos qualidade um pouco mais interessantes. É caso para dizer que a única coisa que tornou este Suécia-Suíça um pouco mais entusiasmante foi essa: pouco ou nada há para contar.

Sim, a Suécia venceu e vai estar nos quartos de final do Mundial da Rússia 24 anos depois. Sem Ibrahimovic. E a Suíça – uma de apenas duas equipas que venceram Portugal depois do Euro 2016 -, que empatou com o Brasil e complicou as contas da canarinha, até era favorita. Mas a verdade é que o jogo desta terça-feira em S. Petersburgo foi, nada mais nada menos, que aborrecido. Ao todo, foram feitos seis remates enquadrados em todo o jogo e os jogadores suecos e suíços perderam a bola 143 vezes. À exceção do golo, só existiu uma grande ocasião de perigo.

Suécia e Suíça pouco mais apresentaram do que um trava línguas complicado para todos os jornalistas que tiveram de anunciar a partida. Poucas ideias, pouco atrevimento, pouca ligação entre a defesa e o ataque: a verdade é que, se aquele remate de Forsberg não tivesse ressaltado em Akanji e enganado Sommer, o jogo ter-se-ia arrastado durante mais meia-hora até culminar na decisão por grandes penalidades. A Suécia conta com duas boas referências atacantes, Berg e Toivonen, e dois jogadores que fornecem um apoio de qualidade aos homens da frente, Forsberg e Claesson. A falta de eficácia é latente e a escassez de soluções táticas para chegar à área adversária gritante. O golo nasceu de uma arrancada de Lindelof, um central, até para lá de metade do meio-campo suíço. Depois disso, sublinha-se o jogo sem bola de Toivonen e a boa incursão interior de Fosberg.

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Depois do golo, aos 66 minutos, a Suíça tentou correr atrás do prejuízo mas não materializou as investidas de Shaqiri ou do lateral esquerdo Rodríguez (melhor elemento suíço, com larga distância). Na verdade, os suecos estiveram sempre mais perto de aumentar a vantagem do que os suíços estiveram de empatar. A Suíça, uma seleção com qualidade e um toque de bola assinalável, pareceu sempre receosa de se desequilibrar com aventuras mais ofensivas.

A Suécia vai enfrentar Colômbia ou Inglaterra nos quartos de final deste Mundial da Rússia e terá de aumentar o ritmo, melhorar as transições defesa-ataque e arranjar maneiras de servir Toivonen e Berg com qualidade se quiser discutir a eliminatória. Esta Suécia, orfã de Ibrahimovic, esteve sempre alguns pontos acima da Suíça durante os 90 minutos: mas muitos pontos abaixo de colombianos ou ingleses.