Carles Puigdemont vai regressar à Bélgica este sábado. Depois de há seis dias ter sido cancelado, pelo Supremo Tribunal de Justiça espanhol, o mandado de detenção europeu, o ex-presidente da Catalunha deu esta quarta-feira uma conferência de imprensa em que anunciou o seu regresso ao país em que se exilou quando foi acusado de rebelião e peculato em Espanha. “É lá que vou basear a minha intervenção política”, anunciou.

Na Alemanha desde que foi detido, há precisamente quatro meses, Puigdemont falou aos jornalistas para revelar a sua decisão de voltar à Bélgica e para comunicar que pretende “começar a trabalhar no Conselho da República”. O ex-líder da Generalitat assumiu que a sua “é continuar com o mandato.”

Apesar de a nível europeu já não ser procurado, em Espanha o mandado de detenção mantém-se, pelo que não pode pisar território espanhol enquanto estiver acusado. No limite, a espera pode demorar 20 anos, ja que os crimes que lhe são imputados demoram duas décadas a prescrever. “Não sei se vou demorar 20 anos a pisar solo espanhol ou não, o que sei é que não vou estar 20 anos sem pisar solo catalão”, respondeu aos jornalistas.

Depois de ser detido na Alemanha, as autoridades tinham aceitado extraditá-lo para Espanha mas apenas pelo crime de peculato. O Governo de Madrid não aceitou essa condição: ou era julgado pelos dois crimes ou não aceitariam o seu regresso. Criado o impasse, o mandado europeu acabou por ser cancelado, permitindo a Puigdemont que circule por solo europeu.

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Ainda que à distância, o ex-presidente da Catalunha pretende continuar a liderar o movimento separatista. Para isso, criou na semana passada um novo partido, Crida Nacional per la República. Puigdemont analisou ainda a entrada do PSOE para o Executivo: “A mudança do governo espanhol é uma mudança de estilo, de clima e de linguagem”, disse.

Depois de ter estado quatro meses detido na Alemanha, Puigdemont vai assim regressar ao país em que escolheu residir desde que fugiu de Espanha.