Os atrasos são o principal motivo das queixas. Falta de condições, supressões de comboios ou enganos nos preços dos bilhetes também são apresentadas como as razões que fizeram com que, desde o início do ano, já tenham sido feitas 240 reclamações da CP — Comboios de Portugal, no Portal da Queixa, noticia esta quinta-feira o Jornal de Notícias.

No ano anterior, foram 139 queixas, representando um aumento de 111% face a 2016. Nesse ano, o aumento já tinha sido de 73% face ao ano anterior. No livro de reclamações, os números são maiores. Em 2017, de acordo com a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, o livro de reclamações foi preenchido 3856 vezes por utentes da CP, quando no ano anterior esse número era de 2.345. Feitas as contas, em 2017, a CP recebeu mais do que 20 mil queixas, feitas a partir do Portal da Queixa, no livro de reclamações e noutros canais da empresa.

Já se fala de uma rutura na CP. A partir de agosto, a empresa vai suprimir comboios e por autocarros a fazer os trajetos afetados.

CP à beira da rutura: faltam equipamentos e trabalhadores para manutenção dos comboios

Redução de horários na linha de Cascais entre 5 de agosto e 9 de setembro

A redução do número de comboios na linha de Cascais, a partir de 5 de agosto, é “ligeira” e “sazonal”, defendeu esta quinta-feira o Governo, adiantando que os horários serão repostos a 9 de setembro.

Em resposta a questões colocadas pela Lusa, fonte do gabinete do ministro do Planeamento e das Infraestruturas adiantou que a partir de 5 de agosto “entra em vigor um horário de verão, com uma ligeira redução da oferta”, ou seja, um “horário sazonal, como é prática corrente no setor dos transportes”. Numa consulta realizada aos horários da linha de Cascais disponíveis no site da CP – Comboios de Portugal, é possível constatar que a partir dessa data os comboios deixam de circular de 12 em 12 minutos em hora de ponta, passando para uma frequência de 15 em 15 minutos.

“A 9 de setembro serão repostos os horários atualmente em vigor”, garantiu a mesma fonte. Na mesma resposta, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas indica que a 5 de agosto entram igualmente em vigor “outros horários sazonais em diversas linhas da CP”, sem especificar quais. Em relação a estas não é indicada uma data exata para a reposição dos horários atualmente em vigor, sendo garantida apenas a sua reposição nos meses de “setembro/outubro”.

Pedro Marques reconhece “perturbações” em algumas linhas da CP

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas reconheceu esta quarta-feira a existência de “perturbações” em algumas linhas da CP e avançou que, no caso da Linha de Cascais, os horários a suprimir no verão serão repostos no início de setembro.

Há perturbações, com certeza que sim, não vale a pena dizer que não, temo-las na linha do Oeste, temo-las aqui na linha do Algarve, ou temos na linha do Norte, por razões diferentes”, reconheceu Pedro Marques, em Olhão, no âmbito de uma visita à região para assinalar a conclusão de um conjunto de obras de emergência realizadas na Estrada Nacional (EN) 125.

O governante explicou que as perturbações nas linhas que ainda estão a funcionar a diesel estão relacionadas com o desgaste do material circulante, estando previsto o aluguer de mais material circulante a diesel e, no futuro, a aquisição de material bimodo, que serve tanto para as linhas eletrificadas como para as linhas a diesel.

Estamos a fazer do lado das infraestruturas aquilo que podemos fazer com fundos comunitários e estamos a fazer com recurso ao Orçamento do Estado o que se pode fazer do lado da CP”, referiu.

Contudo, segundo Pedro Marques, não é possível “resolver de um dia para o outro, ou de um ano para o outro, décadas de abandono, nomeadamente na aquisição de material circulante”. Durante a visita desta quarta-feira à tarde ao Algarve, o ministro esteve ainda na Ponte Internacional do Guadiana, onde decorrem obras de requalificação.

O vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo acusou esta quarta-feira o Governo de “desbaratar dinheiro a pensar já nas próximas eleições” e de deixar degradar “serviços essenciais” como o do setor dos transportes. As acusações do também cabeça de lista do CDS-PP às próximas eleições europeias foram feitas esta manhã durante uma viagem de comboio entre Cascais e Lisboa, realizada para “alertar para os problemas da ferrovia em Portugal, nomeadamente o envelhecimento do material circulante e o aumento das supressões de composições.