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Santander

Lucro do Santander sobe 15%, com crédito a subir 25% – mas é “cedo demais” para falar em “bolha”

Os lucros do Santander aumentaram 15,2% no primeiro semestre, para 264 milhões. Crédito subiu 25% (aumento de 13,3% na habitação) mas banco diz que é "cedo demais" para falar em bolha.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Os lucros do Santander aumentaram 15,2% no primeiro semestre, para 264 milhões de euros, informou esta quarta-feira o banco liderado por António Vieira Monteiro. O presidente da comissão executiva do banco abriu a conferência de imprensa, em Lisboa, sublinhando que estes são resultados que dizem respeito apenas à atividade em Portugal (porque é a única que existe), “isto porque por vezes se fazem comparações” com os lucros de outros bancos nacionais que, dá a entender Vieira Monteiro, beneficiam do efeito dos lucros em operações internacionais. Na mesma conferência de imprensa, Vieira Monteiro acrescentou que é “cedo demais” para dizer que o mercado imobiliário está a gerar uma “bolha”, ainda que a subida dos preços já esteja a chegar à periferia.

Graças ao “crescimento orgânico e à integração do ex-Banco Popular Portugal”, o Santander (que já abandonou a designação Santanter Totta) aumentou em 31% a margem financeira, para 444 milhões de euros. A margem financeira é o indicador que diz respeito aos ganhos do banco entre aquilo que paga pelo financiamento que obtém (sobretudo os depósitos dos clientes) e os juros cobrados nos créditos que concede. E crédito é algo que o Santander, tal como os outros bancos do sistema financeiro português, está a conceder cada vez mais — o crédito total aumentou 25% para 41,4 milhões de euros.

O crédito às empresas aumentou 44,5% e aos particulares 13,3% (um crescimento de 13% na habitação e 7,7% no consumo). “O banco é hoje responsável por cerca de 1/5 (um quinto) do novo crédito concedido às empresas e para habitação”, destaca o banco na apresentação de resultados semestrais.

Além dos ganhos com a margem financeira, o Santander conseguiu cobrar mais 10,8% em comissões, em termos nominais 184,4 milhões de euros. Assim, o produto bancário aumentou quase 20% para 658 milhões de euros. António Vieira Monteiro garante que o aumento de comissões se deve a uma “maior transacionalidade” com os clientes, “porque não temos feito aumentos de comissões, ou são coisas muito poucas, e não temos ideia de fazer aumentos das comissões” no futuro imediato.

Em parte devido à integração do Banco Popular, que foi alvo de resolução, o Santander contabilizou um aumentou de 18% nos custos operacionais (+13,2% em custos com pessoal). Porém, “o rácio de eficiência situou-se em 46,9% [rácio custo/resultados], uma melhoria de 0,7 pontos percentuais face ao período homólogo, o que decorre de o produto bancário ter crescido mais do que os custos no período. Apesar da aquisição dos ativos do Banco Popular, contudo, o rácio de exposições a ativos problemáticos do Santander não aumentou — permaneceu em 4,9%, embora com uma cobertura um pouco inferior à que existia há um ano (54,6% contra 61,2% em junho de 2017).

“Cedo demais” para falar em “bolha”, mas preços também já sobem na periferia

O presidente do Santander Portugal sublinha que o aumento da concessão de crédito está a feito sempre de forma “criteriosa” e “conservadora”, “de maneira a não se cair em algumas situações que possam ser consideradas perigosas no futuro”. Mas o aumento do crédito está a contribuir para o aumento dos preços das casas, que já está a ir além dos centros das cidades.

Dizer que estamos numa situação de grande aquecimento no mercado e caminhamos para uma bolha acho que é cedo demais para isso. Até há relativamente pouco tempo o crescimento era fundamentalmente no centro das cidades, não se sentia nas áreas suburbanas – agora já se começa a sentir aumentos nas áreas suburbanas”, afirma António Vieira Monteiro.

Relacionado com o mercado imobiliário está a legislação que vai obrigar os bancos a refletirem os juros negativos nas prestações de crédito (nas situações em que o spread não seja suficiente para levar a taxa final para terreno positivo, num contexto de indexantes negativos). António Vieira Monteiro já não defende que, com propostas como esta, “mais valia fechar os bancos” — porque “houve alterações, entretanto, que vieram alterar fundamentalmente” o que está em causa (o pior, entre os cenários que foram colocados em cima da mesa, seria se a legislação incluísse efeitos retroativos, ou seja, aplicando-se só daqui para a frente”.

Há cerca de 1.300 contratos em que a nova lei terá de ser aplicada, no caso do Santander. Mas Vieira Monteiro sublinha que “são os melhores clientes, aqueles que têm um spread mais baixo, que vão beneficiar disto, pelo que se calhar os resultados inicialmente pensados não serão obtidos”. Mesmo com a versão mais suave da lei, que foi aplicada, o banqueiro defende que esta cria uma “distorção no mercado”, porque nenhum banco pode aplicar a mesma lógica nos depósitos (que não podem render menos do que zero), por lei.

O Santander comentou, ainda, a questão do Novo Banco e do Fundo de Resolução, notando que “pelo que se houve, as pessoas estão a fazer um grande esforço” para reabilitar a instituição, pelo que, repetindo o que disse na apresentação dos resultados do primeiro trimestre, “é preciso dar o benefício da dúvida”. Contudo, salienta António Vieira Monteiro, os responsáveis do Novo Banco vão “usar todos os meios que têm à sua disposição para atingir esse objetivo”, no que terá sido uma referência ao mecanismo de capital contingente que pode envolver o resto da banca portuguesa em mais despesa com o Fundo de Resolução (ainda que, numa primeira fase, potencialmente com empréstimos estatais).

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