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A Google está alegadamente a planear uma versão censurada do seu motor de busca, numa estratégia que visa reentrar no mercado da China. A versão chinesa vai bloquear alguns sites e termos de busca, nomeadamente relacionados com democracia, direitos humanos, religião e protestos pacíficos.

O projeto com o nome de código “Drangonfly” foi inicialmente noticiado pelo The Intercept, que citava documentos internos da Google e funcionários próximos do projeto. A notícia foi confirmada esta quinta-feira pela Reuters que cita um funcionário da multinacional e um oficial do governo chinês. A Google recusou-se a comentar.

Segundo o The Intercept, o projeto remonta à primavera de 2017, mas teve um avanço significativo desde dezembro do ano passado, quando o presidente-executivo da Google, Sunair Pichai, se reuniu alegadamente com um alto funcionário do governo chinês. A mesma publicação avança ainda que a aplicação já foi demonstrada e poderá estar disponível nos próximos seis a nove meses, dependendo da aprovação governamental.

Um oficial do governo da China confirmou à Reuters que a Google tem estado em contacto com a Admnistração de Cibersegurança da China. Contudo, a fonte admitiu que o projeto ainda não tem aprovação e é improvável que venha a ter até ao final do ano.

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A multinacional procura assim regressar ao mercado chinês, que abandonou em 2010, porque não podia “continuar a censurar os resultados”. Atualmente, vários produtos Google encontram-se bloqueados pela chamada “Grande Firewall”, nomeadamente o motor de busca, o Gmail e o Youtube. Esta muralha virtual permite ao governo bloquear a informação que chega a população, nomeadamente sobre opositores políticos, liberdade de expressão, sexo, notícias e estudos académicos.

A versão censurada do motor de busca está a ser desenhada pela Google para cumprir as limitações impostas pelo governo chinês. A aplicação irá identificar e filtrar automaticamente os conteúdos bloqueados pela “Grande Firewall”, não mostrando resultados considerados “sensíveis”.

De acordo com o The Intercept, o projeto está a ser desenvolvido confidencialmente apenas por algumas centenas dos 88 mil funcionários da empresa. Tanto esta publicação como a Reuters dão conta de funcionários que pediram transferência dos seus departamentos para não estarem envolvidas no projeto. A fonte citada pelo The Intercept cita preocupações éticas e morais com o projeto. “Sou contra a colaboração de grandes empresas e governos para oprimir o seu povo, e acredito que a transparência em relação ao que tem sido feito é do interesse público”, terá afirmado, acrescentando que teme a situação chinesa. “O que está a acontecer na China vai tornar-se um modelo para muitas nações.”