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A juíza de instrução de Madrid, Carmen Rodríguez-Medel, responsável pela investigação ao recém-eleito líder do Partido Popular (PP) em Espanha, enviou a informação recolhida para o Supremo Tribunal por considerar que há “indícios de responsabilidade penal” na obtenção do grau de mestre por parte de Pablo Casado.

No despacho a que vários órgãos de comunicação social espanhóis como o El País tiveram acesso, Rodríguez-Medel sustenta que há “indícios racionais de criminalidade” na obtenção do mestrado de Direito Público da Universidade Rey Juan Carlos por parte de Casado. Por essa razão, a juíza sustenta que o Supremo Tribunal deve investigar o caso em que há suspeitas dos crimes de prevaricação e corrupção passiva. Como Casado é atualmente deputado, relembra o El Mundo, só pode ser investigado pelo Supremo Tribunal.

A decisão da juíza Rodríguez-Medel foi tomada depois de ter interrogado três alunas em situação semelhante à de Casado, tendo obtido o diploma mesmo sem ter frequentado a grande maioria das aulas. Uma das alunas admitiu que recebeu o diploma “sem ter feito nada”. As três foram formalmente acusadas dos crimes de prevaricação administrativa e uma foi ainda acusada de corrupção passiva.

“O que me fizeram não se fez a mais ninguém neste país”, queixa-se líder do PP

O líder do PP reagiu na manhã desta segunda-feira, mesmo dia em que foi conhecido o despacho de Rodríguez-Medel. Em conferência de imprensa, Casado reforçou que não se demite “de todo”, nem da liderança do partido, nem do cargo de deputado. “O PP tem normas que estabelecem em que casos é preciso assumir responsabilidades e neste caso não se aplica nenhum deles”, afirmou.

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Casado foi ainda mais longe, dizendo que não compreende por que está a Justiça a investigá-lo e não a outros políticos que estudaram na mesma Universidade. “O que me fizeram não se fez a mais ninguém neste país”, disse o líder do partido de centro-direita, que, antes disso, apontou casos de políticos de esquerda que também estudaram na mesma instituição. “Parece que a ministra da Saúde tem um mestrado no mesmo instituto de que se fala, já para não falar da bolsa académica a um membro do Podemos”, afirmou. A ministra em causa, Carmen Montón, fez um mestrado dirigido por Enrique Álvarez Conde, o mesmo professor responsável pela atribuição do grau a Casado.

O caso do novo líder do PP é em tudo semelhante ao de Cristina Cifuentes, antiga presidente da Comunidade de Madrid e responsável política do PP, que se demitiu na sequência de vários escândalos, um deles a propósito da obtenção do mestrado na mesma Universidade. Ambos conseguiram obter o grau de mestre sem ter frequentado aulas e sem apresentar o trabalho final previsto.

No caso de Casado, explica o El País, o aluno obteve equivalências a 18 das 22 disciplinas, tendo apenas de ser aprovado em quatro cadeiras para obter o diploma. Nessas, garante o jornal, entregou apenas alguns trabalhos que tinham no total 92 páginas, incluindo índices e bibliografias. Os professores que avaliaram esses mesmos trabalhos, como Conde, estão igualmente a ser investigados.

Não há provas de que o novo líder do PP tenha concluído quatro cadeiras do mestrado