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“António Costa não brinca em serviço.” É assim que o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, analisa a entrevista do primeiro-ministro ao Expresso, publicada este sábado. “O primeiro-ministro está literalmente em campanha eleitoral. Respira propaganda e campanha por todo o lado”, diz o antigo líder do PSD, que não deixa de reconhecer que a entrevista do líder socialista foi “consistente”.

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Para o comentador, o tema mais importante desta entrevista é o próximo Orçamento do Estado (OE), que, sublinha Marques Mendes, “vai ser mesmo um orçamento eleitoralista”, já que Costa destacou que irá haver mais dinheiro para a cultura e para a ciência. Para além disso, Mendes considera que as medidas anunciadas para a função pública estão lá “porque este é o núcleo eleitoral central do PS” e que os incentivos para investir no interior têm como objetivo “tirar uma das poucas bandeiras que ainda restam ao PSD”. E sobre alianças pós-eleitorais? Costa, afirma Marques Mendes, “faz a quadratura do círculo” ao piscar o olho ora à esquerda ora à direita.

No seu espaço de comentário semanal, Marques Mendes abordou ainda o incêndio de Monchique, congratulando-se por não ter havido vítimas mortais e saudando o Governo por ter definido o salvamento das vidas humanas como prioridade. Tal não o impediu, no entanto, de deixar palavras duras ao Executivo: “O que não há necessidade é de o Governo embandeirar em arco e reclamar vitória com a inexistência de vítimas mortais. É feio, fica-lhe mal. É saloiice”, disse.

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Isto porque salvar vidas “é a tarefa normal das autoridades”, afirmou, classificando de “exercício de politiquice” chamar sucesso “ao maior incêndio da Europa”. Na sexta-feira passada, quando o incêndio já estava tecnicamente dominado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, fez o balanço do incêndio dizendo: “A grande vitória é: vítimas zero”.

Marques Mendes reconhece que a responsabilidade pelo estado da ferrovia é de vários governos que investiram tudo na rodovia. Mas lembra que o atual Governo tem um plano da CP para comprar comboios há três anos. Por que é que não aprovou essa compra? Para o comentador, esta falta de decisão é “suspeita”, sobretudo se se confirmar que a concurso vai deixar de fora material para o serviço de longo curso que é o mais rentável para empresa. “Há 20 anos que não se compra um comboio em Portugal”, sublinhou o comentador.

Deixa ainda uma referência ao secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. D’Oliveira Martins, que desvalorizou as falhas operacionais na CP, dizendo que não passa tudo de “politiquice”. “Ele que é uma pessoa muito inteligente teve uma declaração muito feliz ao insinuar que não há crise na CP”, disse. Marques Mendes instou-o ainda a explicar porque não foram feitos estes investimentos necessários no passado.