A Liga das Nações ainda não começou e já conta o seu primeiro episódio polémico. A Federação Dinamarquesa de Futebol anunciou que os jogadores convocados para os encontros com Eslováquia (dia 5, particular) e País de Gales (dia 9, Liga das Nações) não irão comparecer às partidas devido a um conflito entre plantel e Federação.

O motivo do desentendimento entre as duas partes é o acordo pelos contratos de patrocínio da seleção, que não agrada aos convocados pelo selecionador Age Hereide, norueguês que regressou ao seu país de origem depois de saber da decisão dos seus jogadores. Também os atletas regressaram aos seus clubes.

Os vikings dinamarqueses correm o risco de dar por si a torcer pela seleção de futsal frente à Eslováquia e ao País de Gales (Créditos: Getty Images)

A Federação Dinamarquesa de Futebol está debaixo da atenção da UEFA depois de ter visto a seleção feminina boicotar um encontro de qualificação para o Campeonato do Mundo, frente à Suécia, como forma de protesto por melhores condições de trabalho. Na sequência da falta de comparência da formação escandinava, a UEFA atribuiu a vitória por 3-0 à Suécia e uma multa de 20 mil euros à Federação Dinamarquesa. Juntando a isso, um aviso que pode ser preponderante no resolver da situação masculina: caso algo semelhante acontecesse no espaço de quatro anos, a Dinamarca seria retirada de todos os torneios UEFA.

“É uma situação profundamente lamentável para a equipa, os adeptos e todos os que estão envolvidos no futebol dinamarquês. Esperávamos que os jogadores comparecessem quando lhes oferecemos os mesmos subsídios, bónus, seguro pago e melhores condições de voo, cozinha e tratamento. Agora estamos a trabalhar para encontrar os melhores jogadores possíveis para disputar os dois jogos pela Dinamarca. É crucial para o futuro do futebol dinamarquês. Se os jogos não forem jogados, podemos ter de enfrentar milhões de euros em multas e exclusões e o futebol dinamarquês será devolvido à Idade da Pedra em muitas áreas“, disse o presidente da Federação Dinamarquesa, Claus Bretton-Meyer, no site oficial da organização.

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Perante a recusa do plantel de futebol em comparecer aos encontros, a Federação procura soluções e a principal aposta passa pelo uso da seleção de futsal. Segundo a publicação escandinava Ekstra Bladet, a Federação Dinamarquesa já terá enviado um pedido a Nikolaj Saabye, selecionador de futsal, para dispensar uma lista com os jogadores dispostos a alinhar pela seleção de futebol. Em contrapartida, a Federação prometeu um aumento de verbas para o futsal.

Antes, já a Federação tinha aberto um período de testes e captações aos jogadores da liga dinamarquesa como forma de encontrar talento para representar a seleção, mas a iniciativa foi recusada pelos atletas, que não compareceram às captações.

O capitão Christian Eriksen já anunciou a possibilidade de tréguas, mas a Federação Dinamarquesa parece decidida a não negociar (Créditos: Getty Images)

A última informação dá conta de uma reunião do plantel dinamarquês em Copenhaga na tentativa de resolver divergências e evitar a falta de comparência. Eriksen, capitão dinamarquês que atua no Tottenham da Premier League, emitiu um comunicado em nome do plantel onde mostra abertura para jogar em nome “da imagem do futebol dinamarquês”.

“Vamos enterrar o machado de guerra. Concordamos em jogar temporariamente com o antigo acordo, e depois voltamos à mesa das negociações. Estamos preparados e queremos jogar pela Dinamarca”, explicou o capitão. Ainda assim, a Federação mostra-se reticente em retomar as negociações, o que pode levar a um impasse na situação, enquanto a seleção de futsal espera para saber se vai trocar os pavilhões pelos relvados.