Um vice, dois vices, três vices-presidentes. Os membros da direção de Rui Rio, que passaram esta quarta-feira pela Universidade de Verão do PSD, quase que tinham quórum para reunir a cúpula do partido, se tivessem ido todos ao mesmo tempo. Depois de Salvador Malheiro, de manhã, e Nuno Morais Sarmento, à tarde, chegou a vez de David Justino, à noite, falar aos alunos sobre educação. O dirigente do PSD, que foi ministro da Educação de um Governo social-democrata, defendeu que “o melhor investimento na educação, é o investimento nos professores“, sendo mais importante do que apostar, por exemplo, tecnologia. Para David Justino, em Portugal “25% dos professores são excecionais, 60% dos professores são bons e 15% dos professores nunca deviam ter entrado” no sistema de ensino.

David Justino, que foi também presidente do Conselho Nacional de Educação, defende que o sistema avance no sentido de “permitir que apenas os melhores possam entrar no sistema de ensino“. Depois disso, o passo é “dar-lhes condições” para que possam fazer da melhor forma o seu trabalho. O vice-presidente do PSD acredita assim que “a qualidade do ensino e da aprendizagem está fortemente dependente da qualidade dos professores” e deu um exemplo de um amigo, que não nomeou, que é excelente investigador, mas que nunca devia ter entrado numa sala de aula.

De uma forma mais genérica, logo na sua intervenção inicial, David Justino explica que não gosta de falar de educação, porque não tem “por hábito frequentar oráculos”. “Eu sei que há tarôs e essas coisas nas televisões, mas não sei qual vai ser o futuro da educação“, acrescentou David Justino.

O antigo ministro diz ainda que o problema da educação não se resolve colocando mais dinheiro em cima desse problema, já que “o investimento em educação não se mede com números“. David Justino complementa que “não é por ter mais despesa que a educação é melhor”, já que “nem toda a despesa é investimento”.

David Justino criticou ainda o facto de os sucessivos Governos não serem consequentes nas medidas. “Chega um ministro e muda as coisas completamente. Esta instabilidade gera desmotivação em quem já está lá [os professores], às vezes, de má vontade.”

No mesmo jantar conferência na Universidade de Verão do PSD, o ex-reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, admitiu que há “uma pequena percentagem de maus professores”.