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Fátima Carneiro eleita a patologista mais influente do mundo

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A distinção foi atribuída à investigadora pela revista científica "The Pathologist" que, ao longo de dois meses, inquiriu patologistas de todo o mundo sobre quem consideravam merecedor do título.

Autores
  • Agência Lusa

Foi “com surpresa” e “enquanto estava a trabalhar e a ver o email” que Fátima Carneiro, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e diretora do serviço de Anatomia Patologia do Centro Hospitalar São João (CHSJ), recebeu a notícia de que tinha sido considerada a patologista mais influente do mundo. 

A distinção foi atribuída pela revista científica “The Pathologist” que, ao longo de dois meses, inquiriu patologistas “dos quatro cantos do mundo” sobre quem consideravam ser o merecedor do título. Este ano, Fátima Carneiro — que integra também o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da U.Porto (Ipatimup), atualmente integrado no i3S — foi destacada pelas suas capacidades enquanto patologista e professora universitária, ficando, desta forma, no primeiro lugar na lista das 100 posições.

Além disso, entre os colegas de profissão, Fátima Carneiro é destacada não só enquanto uma perita na sua área de especialidade, mas, também, pelas suas capacidades de liderança”, refere a FMUP num comunicado enviado esta quinta-feira.

Apesar de ser a primeira vez que chegou ao primeiro lugar, esta não é uma estreia da investigadora na lista. Em 2015 já tinha feito parte dos 100 mais influentes, num ano em que foi o médico português Manuel Sobrinho Simões — também ele docente da FMUP, fundador do Ipatimup, e patologista no CHSJ — o profissional considerado o patologista mais influente a nível mundial (e que este ano também está presente na lista).

Para Fátima Carneiro, apesar de esta ser uma distinção “que é de orgulho para quem o recebe”, o mais importante é que se trata de “um reconhecimento de uma visão de uma realidade particular, criada num determinado ambiente de trabalho e de um conjunto de pessoas que se apaixonaram por esta forma de estar na patologia”.

Apesar de tudo, o que nós temos é uma competição entre patologistas dos quatro cantos do mundo e o facto de Portugal ficar à frente de candidatos excelentes como a dos Estados Unidos ou do Reino Unido, é um reconhecimento importante para o país. Trazer a patologia portuguesa a uma fórum internacional dá-me alegria, não posso esconder”, referiu Fátima Carneiro ao Observador.

Natural de Angola (1954), Fátima Carneiro licenciou-se em Medicina pela FMUP em 1978 e é atualmente Professora Catedrática da mesma instituição e diretora do Serviço de Anatomia Patológica do Centro Hospitalar São João. No que diz respeito à academia e à investigação, a docente da FMUP é autora de mais de 250 artigos científicos e contribuiu para o desenvolvimento de vários capítulos de livros de especialidade.

Numa área que considera estar “um pouco abandonada”, mas que “é essencial para o exercício da Medicina com as suas exigências atuais”, a investigadora reforça a importância de uma aposta crescente na patologia. “É preciso uma aposta muito maior e é preciso consolidar o que existe, para criar estruturas que possam dar apoio permanente, para continuar a formar patologistas com qualidade e de uma forma integrada, para que possam exercer as suas funções, que são de uma imensa responsabilidade”, explicou ao Observador.

Sobre o seu percurso, Fátima Carneiro destaca à revista britânica, além do envolvimento no ensino e na atividade de diagnóstico, “um especial orgulho em ter conseguido atingir a senioridade na sua área de investigação, o cancro gástrico, e de todas as parcerias de investigação e ensino que estabeleci ao longo da carreira em quatro os continentes”.

A investigadora dirigiu também vários projetos internacionais, foi presidente da Sociedade Europeia de Patologia (2011-2013) e, em Portugal, coordenou a Rede Nacional de Bancos de Tumores (2008). Atualmente Fátima Carneiro preside a Academia Nacional de Medicina Portuguesa.

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