José Mourinho e Nuno Espírito Santo chegavam ambos ao duelo de sábado à tarde vindos de três vitórias consecutivas. O Manchester United parecia ter afastado os fantasmas que assombraram o início da época (com as derrotas frente ao Brighton e ao Tottenham) e o Wolverhampton continua a ser tudo menos a equipa recém-promovida à primeira divisão que coloca o autocarro à frente da baliza. Mourinho treinou Espírito Santo e o antigo guarda-redes disse durante a semana que o técnico dos red devils foi “uma inspiração”: mas nada disso refreava a vontade de vencer que o treinador dos Wolves traz sempre consigo. E isso ficou visível nos primeiros dez minutos de um jogo que também ficou marcado pela presença de Alex Ferguson nas bancadas, o histórico treinador do Manchester United que estava afastado dos estádios desde maio, altura em que foi operado ao cérebro.

Willy Boly e Raúl Jiménez – dois jogadores do Wolverhampton que não são portugueses, mas passaram pelo FC Porto e pelo Benfica, respetivamente – estiveram muito perto de marcar logo no início da partida, mas viram em David De Gea um adversário à altura. O guardião espanhol impediu mais do que uma vez que os Wolves se adiantassem no marcador e compensou as falhas de Smalling e Lindelof, principalmente nas bolas paradas. A equipa de Nuno Espírito Santo voltou a mostrar aquilo que tem sido a sua imagem desde o início da temporada: não está na Premier League, passados seis anos de ausência, para lutar pela manutenção. O objetivo é ficar na primeira metade da tabela e para isso é necessário lutar, marcar golos e fazer tudo para não os sofrer.

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Ficha de jogo
Manchester United-Wolverhampton Wanderers, 1-1

6.ª jornada da Premier League
Old Trafford, em Manchester

Árbitro: Kevin Friend
Manchester United: De Gea; Valencia, Smalling, Lindelof, Shaw; Pogba, Fellaini, Fred (Martial, 63’); Lingard (Andreas Pereira, 75’), Lukaku, Alexis Sánchez (Juan Mata, 63’)
Suplentes não utilizados: Bailly, Ashley Young, Sergio Romero, McTominay
Treinador: José Mourinho
Wolverhampton: Rui Patrício; Bennett, Coady, Boly; Doherty, João Moutinho (Saiss, 80’), Rúben Neves, Jonny Castro; Hélder Costa (Traoré, 75’), Diogo Jota (Gibbs-White, 86’), Raúl Jiménez
Suplentes não utilizados: John Ruddy, Rúben Vinagre, Hause, Leo Bonatini
Treinador: Nuno Espírito Santo
Golos: Fred (18’) e João Moutinho (53′)
Ação disciplinar: Cartão amarelo a Luke Shaw (40’) e Rúben Neves (61’)

Rúben Neves voltou a ser dos melhores – se não o melhor – elementos dos homens do Wolverhampton. O médio português é a ponte entre a defesa a três que Nuno Espírito Santo implementou e o meio-campo a cinco em que assenta o jogo do Wolves: recua, constrói, corre mais do que todos os outros e tem intervenções defensivas e ofensivas absolutamente fulcrais. Em janeiro ou junho, tendo em conta muitos fatores, o antigo médio do FC Porto irá parar a Manchester. Se para vestir de azul ou de vermelho, resta esperar para ver.

Mourinho não contou este sábado com Marcos Rojo e Ander Herrera, ambos lesionados, nem com Rashford e Matic, os dois castigados. Os red devils entraram em campo com a tradicional defesa com quatro elementos que se vai tornando cada vez mais estável, algo que não aconteceu na temporada passada e que foi uma das principais dores de cabeça de Mourinho: agora, Valencia continua a ocupar o lugar cativo na direita da defesa, Luke Shaw ganhou a confiança necessária depois – de uma época difícil – e raramente compromete, e Smalling e Lindelof formaram a dupla de centrais pela quarta vez consecutiva, algo que em 2017/18 foi raro.

Os dois treinadores abraçaram-se no final da partida

À frente, Pogba está num pico de forma incontestável – quiçá motivado pela conquista do Campeonato do Mundo ao serviço da seleção francesa – e assume-se cada vez mais como o líder do Manchester United. O médio francês recebe, distribui jogo, recua e surge na área para responder a bolas paradas. Leva já quatro golos nesta temporada e é visível que a relação com José Mourinho, alvo de tanta polémica durante a época passada, está bastante melhor. Fred, uma das (poucas) contratações do Manchester United neste verão, ainda não tinha conseguido mostrar a razão da aposta de Mourinho. O brasileiro guardou para este sábado um remate certeiro – depois de uma assistência deliciosa de Pobga – que colocou os red devils em vantagem aos 18 minutos e podia ter assinado o bis, ainda antes do intervalo, num livre direto que teve como resposta uma defesa fantástica de Rui Patrício.

https://www.youtube.com/watch?v=83ppb_8yEGc

O Wolverhampton foi para o intervalo a perder, mas sabia o que teria de fazer para alterar o resultado do placard: destruir a ligação entre o meio-campo e o ataque do Manchester United, principalmente a partir de Fellaini e Pogba, os homens responsáveis por essa ponte. E foi exatamente a partir daí que surgiu o golo do empate. Rúben Neves aproveitou um raro momento de distração de Pogba e roubou uma linha de meio-campo – soltou para Hélder Costa, que assinou este sábado uma exibição de gala, fez o que quis de Luke Shaw e cruzou atrasado para Raúl Jiménez. O mexicano ex-Benfica soltou para João Moutinho, que estava à entrada da área e rematou de pé esquerdo para o seu primeiro golo pelo Wolverhampton.

https://www.youtube.com/watch?v=yCN0UbA4ytk

O jogo dividiu-se e perdeu grande noção tática com as substituições – Hélder Costa saiu e o Wolves perdeu velocidade, Lingard foi substituído por Andreas Pereira e o Manchester United perdeu espontaneidade. Nuno Espírito Santo travou José Mourinho e impôs ao antigo treinador um empate em Old Trafford que o deixa ainda mais afastado dos lugares cimeiros da Premier League. Já o Wolverhampton assume-se cada vez mais como uma equipa a temer, em casa ou fora, por grandes ou pequenos. No final, resultados à parte, mestre e aprendiz abraçaram-se.