O número de cidadãos estrangeiros a optar por viver em Portugal aumentou 83% entre janeiro de 2017 e agosto de 2018. São maioritariamente franceses, britânicos e italianos que são atraídos pelos benefícios fiscais oferecidos pelo Estado português.

No total são 23.767 os beneficiários do regime fiscal adotado em 2009 que visa atrair trabalhadores qualificados e reformados. Como residentes não habituais gozam de isenção de tributação (no caso dos reformados) ou, caso integrem a lista de trabalhadores de elevado valor acrescentado, pagam uma taxa de IRS de 20%. Este regime é atribuído durante 10 anos — não sendo renovável — desde que tenham tido morada fiscal no estrangeiro nos últimos cinco anos e passem a residir em Portugal pelo menos 184 dias por ano.

Assim, portugueses emigrados que cumpram estes critérios podem também usufruir deste regime. São, no entanto, apenas 1.503 os cidadãos nacionais com este estatuto, 6% do total. Este número contrasta com os sete mil pedidos que , segundo o Diário de Notícias, deram entrada na Autoridade Tributária e Aduaneira. A diferença é justificada, de acordo com especialistas citados pelo jornal, pelos entraves na formalização do pedido.

Este tipo de regimes fiscais de incentivo à fixação de estrangeiros existem em vários países europeus. Contudo, a opção do Estado português em não cobrar IRS aos reformados (desde que a pensão seja paga por outro país) valeu várias críticas por parte da Suécia e Finlândia. Estes países não estão contudo entre as nacionalidades estrangeiras que mais usufruem deste estatuto em Portugal, abrangendo apenas 2071 suecos e 491 finlandeses.

Franceses (5.448), britânicos (2.718) e italianos (2.513) lideram a lista dos cidadãos que decidiram mudar-se para Portugal. Os suecos surgem em quarto lugar, seguidos por brasileiros (1.912), portugueses (1.502), espanhóis (1.077), alemães (700), belgas (693), finlandeses (564), holandeses (549), suíços (527), norte-americanos (400), irlandeses (285), polacos (163), dinamarqueses (126) e canadianos (122). Integram ainda a lista os cidadãos da África do Sul (111), de Marrocos (101), da Noruega (92) e a China (91).