“O processo ainda não terminou. Os nossos sete cidadãos foram libertados, mas a questão permanece, porque eles são suspeitos de não cumprir uma lei cuja questão do cumprimento nós não conseguimos perceber”. Foi com um alerta que o Ministro dos Negócios Estrangeiros começou por comentar esta quarta-feira, em Nova Iorque, a libertação dos gerentes de supermercados — sete portugueses e cinco lusodescendentes — que estavam detidos desde a passada quinta-feira na Venezuela, acusados de violar as leis de preços no país.

Augusto Santos Silva reforçou, no entanto, o “gesto positivo das autoridades venezuelanas” na libertação dos gerentes e referiu a importância da visita do secretário de Estado das Comunidades, no próximo fim de semana, à Venezuela, onde será feita “uma reunião com todas as partes [as autoridades diplomáticas venezuelanas e autoridades da tutela no domínio comercial e da segurança alimentar], para que possam sentar-se à mesma mesa e discutir as condições em que a pequena e média distribuição portuguesa pode participar na economia venezuelana”.

Portugueses que estavam detidos na Venezuela foram libertados

No fim de semana, o governo venezuelano garantiu que a lei era para ser cumprida, independentemente da nacionalidade dos visados. Mas o caso gerou uma crise diplomática e Santos Silva teve de ter uma “conversa franca mas dura” com o seu homólogo, Jorge Arrezea, de forma a ter “acesso imediato aos portugueses detidos por parte das autoridades consulares e embaixada portuguesa”, para “lhes ser garantida a devida proteção consular”.

Eu disse ao meu colega que para nós havia uma linha vermelha e que, evidentemente, não haver progressos na superação deste problema teria consequências nas relações bilaterais”, afirmou Augusto Santos Silva na segunda-feira.

O ministro sublinhou ainda, em Nova Iorque, que “os portugueses que vivem na Venezuela estão muito bem integrados, contribuem muito para a economia venezuelana e é preciso que tenham condições para continuarem a trabalhar, com respeito a regras económicas básicas”.

Santos Silva define “linha vermelha” diplomática após prisão de portugueses na Venezuela

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a “firmeza do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros num caso muito sensível e na defesa dos portugueses”. O Presidente da República destacou “a correção da orientação política seguida por Portugal no que toca às relações com a Venezuela”, uma orientação que diz ter sido “muito atenta, interveniente, sempre presente no terreno, mas sensata”.