Pouco antes do arranque do comício da Aliança Democrática Independente (ADI, no poder), em Trindade, “nascem” bancas improvisadas de venda de comida, que rapidamente ocupam a praça central da segunda maior cidade de São Tomé.

Caixas e alguidares de plástico, bancos de madeira ou tapetes colocados no chão servem de “montra” para os mais diversos produtos: a cerveja nacional, Rosema, refrigerantes — quase todos de marcas portuguesas, caranguejos ou espetadas de búzios, doces, bolos, frango ou banana assados no carvão.

Edna, 35 anos, aproveita o comício para tentar vender asas de galinha assadas e búzios. Evita falar de política, mas relata que procura fazer comércio “sempre que há atividades”.

Na ação de hoje da campanha para as legislativas e autárquicas de 07 de outubro da ADI em Trindade (distrito de Mé Zochi, cerca de oito quilómetros a sudoeste da capital, São Tomé), é esperada a presença do cabeça-de-lista, Patrice Trovoada, mas a festa promete prolongar-se até à noite, com concertos de vários artistas são-tomenses e internacionais, mesmo que debaixo de chuva forte.

À hora marcada para o comício (15:00, mesma hora em Lisboa), são apenas algumas dezenas os apoiantes que se posicionam perto do palco montado na rua, mas aos poucos vão-se-lhes juntando cada vez mais: chegam em táxis amarelos, em carrinhas ou, às dezenas, em camiões de caixa aberta.

Vestem t-shirts e polos amarelos ou azuis — as cores da ADI -, onde se lê “Patrice Trovoada 2018”, “Menos Política, Mais Trabalho” ou “Obra feita, Povo Satisfeito, Maioria Clara”; usam bonés com o símbolo do partido e agitam bandeiras. Nas paredes há cartazes — alguns já caíram por causa das fortes chuvadas — e bandeirolas penduradas em fios.

“Isto é África. Quando se diz 15:00, as pessoas chegam às 16:30”, comenta uma jovem, que veio espreitar o ambiente antes de apanhar um táxi para o trabalho, um restaurante em São Tomé.

O primeiro-ministro quer renovar a maioria absoluta conquistada nas urnas em 2014, quando conseguiu 33 dos 55 lugares na Assembleia Nacional. E os apoiantes acreditam nisso. “Eu batalho por ele em todo o momento, eu quero que ele fique lá”, garante Hermínia Fernandes, 48 anos.

A mulher afirma que Patrice Trovoada “veio para ajudar o povo pequeno” e enumera a ‘obra feita’: “Construiu a estrada, água, energia, na maioria das localidades de São Tomé”, comentou. Dedy, 30 anos, diz que o Governo de Trovoada “fez muita maravilha e precisa de oportunidade para fazer mais”.

“Eu tenho a certeza de que ele vai criar emprego e mais estabilidade para o povo são-tomense”, disse o estudante de administração e contabilidade, que desvaloriza as opiniões críticas em relação ao mandato do líder da ADI: “Ele fez, faz e vai fazer. Basta o povo dar mais quatro anos para ele mostrar que as críticas não correspondem à realidade”. ‘Swagger’, de 18 anos, veste uma t-shirt com a imagem de Cristiano Ronaldo.

Afirma que já vai votar e Patrice Trovoada é o candidato que prefere: “Ele fez muito bom trabalho, ajudou o povo, ajudou a criar energia e água e tudo o mais”. O rapaz, jogador num clube de Monte Café, uma localidade próxima, ambiciona seguir os passos do futebolista português: “Eu esforço-me para ser como ele”.

Quando cai (mais uma) chuvada, os populares correm para se abrigar num mercado coberto, mas a música dos artistas convidados que já estão no palco a atuar acaba por os atrair de novo para a praça.