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MotoGP

O que tem Marc Márquez de especial para ser o número 1?

Deslocou o ombro na festa do título mas admitiu que foi algo normal ao longo da temporada. Igualou Doohan, já olha para Rossi e quer chegar a Agostini. Marc Márquez, o pentacampeão mundial de Moto GP.

Marc Márquez fez a festa do título no Japão, beneficiando da queda de Dovizioso a duas voltas do final da prova

Getty Images

No ano passado, Marc Márquez passou a ter o dobro dos campeonatos de Casey Stoner, descolou de Jorge Lorenzo e igualou nomes como Geoff Duke, John Surtees, Mike Hailwood ou Eddie Lawson. Agora, numa realidade que estava traçada mas que era complicada de se tornar realidade já no Japão, o espanhol de 25 anos alcançou o penta. Ou seja, tantos títulos como o mítico australiano Mick Doohan e oito anos mais novo do que o antigo campeão que ganhou tudo entre 1994 e 1998. Para um e para outro, como se percebeu nos comentários que tiveram depois da prova, este domingo foi um dia especial.

“Ele é um piloto brilhante e merece tudo o que atingiu mesmo tendo apenas 25 anos. Leva uma temporada perfeita, com oito vitórias, combinado com uma consistência forte que lhe permite ir ao pódio na maioria das corridas. Quero dar os parabéns ao Marc pelo título e dizer que estou orgulhoso de poder dividir este registo com ele. Obrigado pelos grandes espetáculos que dás nas pistas e pelo teu estilo que não pode ser imitado”, comentou Doohan em comunicado. “Podemos ter muitas vitórias e muitas pole mas no final o que te guia são os títulos conseguidos na hora da retirada. Igualar alguém como Doohan, uma referência quando lutava com Crivillé e que tenho em mente nas últimas voltas. Na Austrália, vou dar um grande abraço e dizer-lhe tudo o que sinto, embora espero que não fique por aqui”, comentou Márquez, citado pelo jornal Marca.

Márquez terminou de forma artística a corrida no Japão que lhe garantiu o quinto título mundial em Moto GP (Mirco Lazzari gp/Getty Images)

A queda de Andrea Dovizioso a duas voltas do final do GP do Japão acabou por antecipar uma festa que era inevitável. Uma festa que foi grande, que demorou algum tempo e que também teve uma dose de sofrimento à mistura – foi nas celebrações que acabou por deslocar o ombro. “Quando o Scott [Redding] saiu daquela zona, senti algo estranho, o ombro tinha saído do sítio com um gesto que fiz. Menos mal, tinha ali ao lado os meus anjos da guarda que me recolocaram logo no lugar”, confidenciou, citado pelo El País, que recorda os tempos em que a dupla batia recordes de precocidade no mundo das motos. “Já perdi a conta às vezes em que aconteceu. Nunca revelei porque não queria dar pistas aos meus adversários mas durante os treinos fui fazendo várias luxações. Foi o meu ponto débil este ano”, revelou. Em breve, será operado para corrigir a situação.

“No ano passado foi mais stressante, a pressão era maior. Não gosto daquela sensação de que vais ganhar. Isso ajuda-me a estar mais concentrado, a trabalhar melhor com a pressão. Por isso, tive de encontrar uma motivação extra. Em 2015 aprendi que o mais importante é a consistência para ganhar – e este ano, à exceção da Argentina e da Itália, fiquei sempre no pódio. Quero manter esse compromisso. Tenho consciência que o que estou a fazer é muito complicado mas não quero pensar já no que isso significa porque estou a viver um sonho. Chegar ao Moto GP e ganhar cinco em seis títulos era impensável”, disse.

Em 15 corridas em 2017, piloto da Honda ganhou mais de metade (oito) e falhou apenas dois pódios (Mirco Lazzari gp/Getty Images)

O ABC destaca como chaves para mais um título os oito triunfos em Grandes Prémios, a confiança, a agressividade e a falta de concorrentes à altura – por uma ou outra razão, só Dovizioso conseguiu adiar o inevitável. O La Vanguardia acrescenta também o melhor rendimento da Honda e uma maior regularidade depois de ter caído 27 vezes em 2017. Por tudo isto, o El Periódico junta os títulos conseguidos em 125cc e 250cc para destacar o heptacampeão mais novo de sempre da modalidade. Mas as atenções já estão também centradas nos próximos objetivos: o Mundo Deportivo projeta já aquela que será a principal meta do espanhol no Moto GP – superar os sete títulos de Valentino Rossi e chegar aos oito de Giacomo Agostini. Sendo que, como recorda o As, terá no próximo ano um adversário de peso na própria Honda: Jorge Lorenzo. A esse propósito, o El Confidencial coloca o enfoque na ligação especial com a única equipa que conhece no Moto GP.

Como conta a Marca num trabalho onde enumera 93 curiosidades (número enquanto piloto por ser o ano de nascimento), Marc Márquez, nascido em Cervera (Catalinha)), é perfecionista, fã do Barcelona, supersticioso com a roupa interior nos treinos e nas corridas, recebeu a primeira mota aos três anos e desde os 11 que trabalho com um preparador físico para melhor a flexibilidade. Mais do que isso, é um ícone do desporto motorizado e o menino querido do desporto espanhol, capaz de receber mensagens nas redes sociais da Casa Real, do primeiro-ministro Pedro Sánchez e de outros atletas de diferentes modalidades como Fernando Alonso, Alejandro Valverde, Carlos Sainz, Iniesta ou Casillas, guarda-redes do FC Porto.

“É a referência. É a história do desporto. Por atrevimento. Pelo risco. Pela técnica. Porque levou o motociclismo a outro nível. Porque converteu os grandes prémios noutra coisa. Numa guerra para ganhar há que ultrapassar os limites, pensar pouco, jogar sempre tudo. Ele põe as regras. Porque a sua pilotagem provoca corridas cheia de toques, corridas de que se pode esperar qualquer coisa: glória ou lamento; corridas que contam com a participação das margens da pista porque todos os centímetros contam. Quem quiser batê-lo tem de jogar da mesma forma”, escreveu o El País. Em 2018, como em 2010 (125cc), 2012 (250cc), 2013, 2014, 2016 e 2017, não houve ninguém capaz de entrar nesse jogo. Veremos se no futuro haverá.

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