O BPI lucrou 529 milhões em nove meses, 324 milhões dos quais na atividade em Portugal, informou o banco em comunicado esta terça-feira. Na atividade doméstica, as operações recorrentes renderam 164 milhões, um aumento de 20% em relação ao período homólogo que Pablo Forero, presidente do banco detido pelos espanhóis do Caixabank, justifica com o “trabalho excelente que tem sido feito pelas equipas comerciais”, tanto na área do crédito a particulares mas, também, às empresas. Os resultados foram apresentados no dia em que o banco lançou uma campanha de crédito à habitação com taxa de juro fixa a 30 anos — porque “este é o momento para os portugueses serem prudentes” com a possível subida das taxas de juro.

Ao resultado recorrente na atividade doméstica, os 164 milhões, juntam-se os ganhos com as vendas de alguns ativos feitos no início do ano (como a Viacer e o BPI Gestão de Activos) — daí os 324 milhões de resultado da atividade em Portugal. Essas são receitas que não são repetíveis, pelo que Pablo Forero sublinha que o melhor indicador para avaliar o desempenho do banco é a subida de 20% dos lucros recorrentes. Além disso, a margem financeira aumentou 9,1% para 315 milhões, traduzindo a diferença entre o que o banco paga para se financiar (depósitos, sobretudo) e o que cobra pelos créditos que concede.

O banco conseguiu aumentar os depósitos de clientes para 1.343 milhões (um aumento de quase 7% face ao final do ano passado) e, no crédito, a carteira de crédito às empresas em Portugal aumentou 12% (também face a dezembro), com uma quota de mercado que era de 8,4% e passou para 9,2%.

No crédito à habitação, o banco emprestou mais de mil milhões de euros (1.050 milhões) em nove meses, o que é uma subida de 36% em relação ao período homólogo.

No dia em que o BPI lançou uma campanha de créditos a taxa fixa a 30 anos, um prazo longo que poucos bancos em Portugal estão a fazer, Pablo Forero aproveitou para lembrar que vários indicadores dos mercados internacionais apontam para que as taxas de juro possam subir nos próximos anos, pelo que “esta é uma boa altura para os portugueses avaliarem as opções que têm” na contratação de um novo crédito à habitação.

Forero acrescentou que a predominância do crédito a taxa variável em Portugal “é uma exceção” na Europa. E, na opinião do banqueiro, “é muito provável que as taxas de juro irão subir no futuro, por isso é importante que se mostre às pessoas que há alternativas à taxa variável — o que não quer dizer que deixemos de disponibilizar a taxa variável”. Mas acrescenta: “nós temos a responsabilidade de explicar aos clientes essas alternativas mais prudentes, que são um bocadinho mais caras no princípio mas, se as taxas de juro subirem, esta pode ser a opção mais prudente”, esclareceu o presidente-executivo do Caixabank.

Esta terça-feira o Banco de Portugal indicou que a maioria dos bancos garante estar a ser “mais restritiva na concessão de crédito” mas o BPI diz que “não mudou nada porque não tinha nada para mudar”. Mas Pablo Forero adiantou: “se outros estão a ter maior restritividade, então isso é algo que é bem-vindo”.

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BPI tem exposição de cerca de 675 milhões a Itália

Questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa de apresentação de resultados, e numa altura em que Itália está no centro das atenções nos mercados, o BPI comentou que tem uma exposição de cerca de 675 milhões de euros à dívida italiana, com maturidade dentro dos próximos três anos. Esse valor compara com a exposição de cerca de 1.000 milhões a Espanha e 1.700 milhões à dívida pública portuguesa.

Forero comentou, sobre o chumbo europeu ao orçamento italiano, não pode dizer-se “que seja uma surpresa” porque já se sabia que o orçamento que iria ser apresentado não correspondia às regras europeias. Mas a questão em Itália mostra, na opinião do banqueiro, que “a discussão sobre a disciplina orçamental dos países está no começo, não está no fim”.

Um assunto sobre o qual Pablo Forero não quis alongar-se em comentários foi o facto de a Audiência Nacional espanhola ter aberto um procedimento para investigar a compra do BPI pelo CaixaBank por suspeitas de abuso de mercado. “Nós, no BPI, achamos que não vai ter impacto. Esse é um assunto do CaixaBank e o BPI não é o objeto desse assunto”, limitou-se a dizer Pablo Forero, acrescentando que este é um caso que o Caixabank deverá esclarecer (novamente) dentro de dois dias, na apresentação de resultados do banco.

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Pablo Forero adiantou, também, que o BPI está a vender uma carteira de crédito malparado de 200 milhões (relativa a carteiras de crédito empresarial sem garantias), que deverá ficar concluída nos próximos meses, “quando estivermos satisfeitos com as propostas que existem”.