Tim Cook foi o primeiro CEO de uma grande imprensa a assumir publicamente a sua homossexualidade. A revelação foi feita através de um artigo de opinião publicado em 2014 na revista Businessweek. Passados quatro anos, Cook admite estar “muito orgulhoso” da decisão que tomou, não a pensar nos administradores de outras empresas, mas nas crianças que lhe escreviam todos os dias depois de lerem online os boatos sobre a sua homossexualidade, revelou durante uma entrevista exclusiva à CNN, que será transmitida na totalidade na quinta-feira.

Questionado pela jornalista Christiane Amanpour sobre se sente que o ambiente em Sillicon Valley se tornou mais tolerante desde 2014, Cook começou por explicar que, apesar de defender que “toda a gente deve ser tratada com dignidade e respeito, independentemente da sua orientação sexual, da religião, do género, da etnia — de qualquer coisa”, foi por causa das crianças que lhe escreviam, revelando-lhe serem alvo de bullying, “que sentiam que a família não gostava delas, que deviam sair de casa e que estavam muito perto do suicídio”, que tomou a decisão de se assumir como gay.

“Sou uma pessoa muito reservada”, disse, revelando que, até ter publicado o artigo na Businessweek, apenas um pequeno grupo de pessoas sabia da sua homossexualidade. “Isso era uma coisa egoísta. Precisava de fazer alguma coisa por eles [as crianças] e mostrar-lhes que podem ser gays e ter trabalhos importantes. Foi por isso que o fiz, não o fiz para que outros CEOs assumissem a sua homossexualidade. Isso nem sequer me passou pela cabeça.” Apesar disso, Cook admitiu ter “muito orgulho” em ter sido o primeiro a fazê-lo. “É a maior dádiva que Deus me deu”, declarou.

Durante a entrevista da CNN, Cook admitiu ainda que assumir publicamente que era gay o ajudou a ser um líder melhor, assim como todos comentários preconceituosos de que tem sido alvo desde então, porque fizeram com que se tornasse mais forte. “Aprendi o que é fazer parte de uma minoria. Fazer parte de uma minoria faz com que sintamos empatia por todos aqueles que não fazem parte da maioria”, disse.