O parlamento da Argentina aprovou esta quinta-feira o Orçamento para 2019, apesar do clima de tensão entre o Governo e a oposição e dos tumultos entre a polícia e manifestantes contrários ao plano governamental.

A votação terminou com 138 votos a favor — três a mais do que era necessário –, 103 contra e oito abstenções, após 18 horas de debate intenso, com momentos de tensão que levaram o presidente da Câmara a realizar duas pausas.

O projeto – que formaliza um duro ajuste nas contas públicas e um aumento dos impostos – está dentro do que foi pedido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e deve agora passar pelo Senado para a sua aprovação final.

A sessão plenária começou pouco antes das 12h00 (hora local/16h00 em Lisboa) de quarta-feira e durou até às 05h45 (hora local/09h45 em Lisboa) de esta quinta-feira, quando se realizou a votação final. Enquanto o debate estava a decorrer, movimentos sociais e sindicatos protestavam frente ao parlamento contra o orçamento preparado pelo Presidente argentino, Mauricio Macri.

Um grupo de manifestantes tentou romper a barreira de segurança e atirou pedras contra a polícia, que respondeu com jatos de água, disparando gás lacrimogéneo e tiros com munição de borracha. Os confrontos, que se espalharam para outros pontos do centro da capital, Buenos Aires, resultaram em 26 detidos, confirmaram fontes oficiais à agência de notícias espanhola EFE.

Um grupo de parlamentares da oposição foi à rua para defender os manifestantes da ação policial. Os deputados disseram que, mesmo identificando-se, foram agredidos pelos agentes de segurança.

Houve também grande tensão no hemiciclo e a oposição pediu para interromper o debate algumas vezes. Por causa dos incidentes, a sessão foi interrompida duas vezes, uma delas para uma reunião entre os chefes dos blocos de deputados e o secretário da Segurança de Buenos Aires, Marcelo D’Alessandro.