O rei emérito espanhol Juan Carlos I está envolvido em mais uma polémica. Desta vez, está em causa o encontro com o príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman, suspeito de ter mandado matar o jornalista Jamal Khashoggi. O palácio da Zarzuela, residência oficial da família real espanhola, já saiu em defesa do rei e afirma que “o encontro foi estritamente protocolar, sem reunião prévia e sem transcendência institucional”, avança o jornal El Español.

Os dois foram fotografados juntos no Grande Prémio de Abu Dhabi de Fórmula 1 e assim que a fotografia foi divulgada surgiu um rol de críticas, a começar pelo Podemos e a Izquierda Unida, partidos avessos à monarquia. O Podemos chegou a pedir inclusivamente esclarecimentos no Parlamento e considera que o rei “tem que dar muitas explicações depois da fotografia terrível, quando é a própria CIA a revelar que o príncipe saudita ordenou que esquartejassem Jamal Khashoggi”, refere outro artigo do mesmo jornal. Já o PSOE, que está à frente do governo minoritário de Espanha, preferiu esperar por explicações da casa real.

[o rei] Tem que dar muitas explicações depois da fotografia terrível, quando é a própria CIA a revelar que o príncipe saudita ordenou que esquartejassem Jamal Khashoggi”, referiu Pablo Inglesias, líder do Podemos.

A casa real espanhola apressou-se a explicar que o encontro foi “no âmbito privado” e que Juan Carlos assiste todos os anos presencialmente a esta prova da Fórmula 1, que esta ano foi ainda marcada por um acontecimento especial: a despedida do piloto Fernando Alonso da modalidade.

A fotografia foi tirada no passado domingo e logo divulgada na conta oficial de Twitter do Ministério de Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita,.

Segundo a investigação em curso na Turquia, Khashoggi foi morto por um esquadrão de agentes sauditas que viajaram para Istambul com esse fim. O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse por várias vezes que a ordem para matar Khashoggi “foi dada ao mais alto nível do Estado” saudita. As autoridades sauditas detiveram 21 suspeitos de ligações à morte do jornalista e adiantaram que 11 foram já foram acusados até agora e serão condenados à morte.