As coleções do Museu Calouste Gulbenkian vão tornar-se itinerantes e levar arte a vários pontos do país numa iniciativa que pretende reforçar a presença da fundação fora de portas e que arranca no sábado, em Bragança.

“Gulbenkian Itinerante” é o nome da iniciativa que até 2020 irá partilhar com várias localidades de norte a sul de Portugal a programação artística da Fundação Calouste Gulbenkian com exposições de obras de arte, além do programa de concertos pelo Coro e Orquestra desta instituição.

A iniciativa arranca com a exposição “Corpo e Paisagem”, no sábado, em simultâneo no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais de Bragança e no Espaço Miguel Torga, em Sabrosa (Vila Real).

Nos dois espaços estará patente, de acordo com a fundação, “uma ampla seleção de trabalhos reunidos sob o título Corpo e Paisagem”, que junta “obras da Coleção Moderna e peças adquiridas por Calouste Gulbenkian de proveniências tão distintas como a Síria, a Turquia ou o Japão”.

Entre os artistas representados nos dois espaços estão nomes como Almada Negreiros, Paula Rego, Alberto Carneiro, Ana Vidigal, António Areal, Antony Gormley, Costa Pinheiro, Helena Almeida, João Queiroz, Lourdes Castro, Manuel Botelho, Mário Eloy, Menez, Miguel Palma, Rui Chafes, Stanislas Lépine e Thomas Weinberger.

O curador destas mostras é o diretor do Centro de Arte Contemporânea de Bragança, Jorge da Costa, que preparou também os conteúdos do núcleo que será apresentado mais tarde, em abril, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco.

Jorge da Costa compara esta iniciativa da fundação em parceria com instituições locais ao “emblemático programa das bibliotecas itinerantes”, pois permite que “outros públicos, de norte a sul do país, tenham acesso à coleção do Museu Gulbenkian”.

O curador de algumas das exposições programadas sublinha ainda o “diálogo estabelecido entre um número significativo de museus”, capazes de “potenciar futuros projetos em rede”.

Jorge da Costa destaca também a oportunidade oferecida ao público da região, “que reconhece a marca Gulbenkian”, de entrar em contacto com um “dos mais sistemáticos conjuntos de obras de arte moderna e contemporânea portuguesa” e “uma das mais importantes coleções privadas de arte internacional.”

O propósito da Fundação Calouste Gulbenkian é “mostrar sistematicamente as suas obras de arte pelo país, alargando o acesso do público às coleções do Museu Calouste Gulbenkian”, nomeadamente em regiões mais afastadas dos grandes centros e onde existam equipamentos culturais para acolher este espólio, como disse à Lusa o diretor-adjunto do Museu Gulbenkian, Nuno Vassallo e Silva.

O diretor-adjunto do museu sublinhou que não se trata de “um pacote feito que vai a todo o lado”, mas de “parcerias dinâmicas com a preocupação sempre de responder aos públicos locais”.

Até fevereiro de 2020, as primeiras seis localidades que vão acolher obras do museu são Bragança, Sabrosa, Castelo Branco, Portimão, Sines e Tavira.

Em Bragança e Sabrosa, a exposição “Corpo e Paisagem” abre sábado e lá permanece até 24 de março.

A partir de 8 de dezembro, o Museu de Portimão apresenta a exposição “Lugares, Paisagens, Viagens”, assente, igualmente, segundo os promotores, “numa criteriosa escolha de obras das Coleções do Museu Gulbenkian”.

O diretor do Museu de Portimão, José Gameiro, fala de uma “inspiradora parceria” também “potenciadora de um desejável e estimulante diálogo entre instituições culturais”.

Aquele responsável aplaude ainda o caminho de “continuada descentralização” da Fundação Gulbenkian, destacando ainda a “salutar cocuradoria” iniciada com esta exposição, que ficará patente até 3 de março.

A 16 de março, chega outra exposição ao Centro de Artes de Sines, permanecendo até 9 de junho.

Segue-se, a 6 de abril, a inauguração da mostra no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, que pode ser visitada até 28 de julho.

O Palácio da Galeria, em Tavira, fecha este ciclo com uma exposição de 23 novembro de 2019 a 23 fevereiro de 2020.