Caso José Sócrates

Primo José Paulo recebeu de um angolano o apartamento de luxo na Ericeira onde Sócrates vive

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José Paulo Pinto de Sousa recebeu de um angolano o apartamento de luxo na Ericeira onde o ex-primeiro-ministro está a viver. Sócrates diz que "aceitou convite de alguém muito próximo e querido".

LUSA

O primo de José Sócrates José Paulo Pinto de Sousa, empresário em Angola e suspeito de ter sido um dos testas-de-ferro do ex-primeiro-ministro, é o dono do apartamento de luxo na Ericeira onde Sócrates está a viver, noticia o Correio da Manhã esta sexta-feira. Mas o apartamento não é do primo de Sócrates há muito tempo — só em outubro deste ano é que o imóvel foi recebido como pagamento de uma dívida que um empresário angolano tinha com o primo do ex-líder socialista.

José Paulo é um dos arguidos da Operação Marquês e, segundo a acusação, entre maio de 2006 e julho de 2007, recebeu em contas bancárias na Suíça nove milhões de euros em alegados subornos do Grupo Espírito Santo (GES) ao ex-primeiro-ministro. Enquanto decorre o processo em tribunal, o empresário português em Angola teve um advogado — José Filipe Morais Alçada — a fazer a escritura do imóvel, por procuração não só de José Paulo mas, também, do antigo dono.

O antigo dono é o angolano Fernando dos Anjos Ferreira, que comprou a casa em 2006 mas, nesta fase, tinha uma dívida de 500 mil dólares norte-americanos para com José Paulo Pinto de Sousa, pelo que entregou como dação em pagamento o apartamento, avaliado em 431 mil euros, que tem vista para o mar, várias suites e banheira jacuzzi.

Em reação à notícia, e ouvido na Ericeira pela reportagem da SIC, José Sócrates explicou: “decidi aceitar um convite de um familiar que me é muito próximo, que me é muito querido”.

Esta foi uma resposta que José Sócrates explicou, à SIC, que é dada uma vez “sem exemplo”, porque diz não perceber “porque é que o jornalista vai buscar a ideia que tem o direito de fazer perguntas, de incomodar as pessoas nos atos banais da sua vida privada”. “Eu não sei com que espécie de não-direitos me considera”, acrescentou.

“Eu saí de uma casa que estava alugada e decidi aceitar um convite de um familiar que me é muito próximo, muito querido”, comentou José Sócrates, acrescentando que é “falso” que o primo tenha sido seu testa-de-ferra nos subornos que é acusado pelo Ministério Público de ter recebido.

“As vossas perguntas revelam o nível de jornalismo a que chegámos, que só quer fazer devassa da vida privada”, a mando “do Ministério Público”, acusou o ex-líder socialista.

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