O jovem engenheiro August Achleitner iniciou a sua carreira na Porsche, em 1983, onde foi subindo na hierarquia até que, em 2001, foi escolhido para ser o responsável pelo 911, o modelo mais prestigiado da casa e o mais importante comercialmente, uma vez que os SUV só começariam um ano depois, com o Cayenne.

A tarefa deste técnico estava longe de ser fácil, pois tinha de manter actual e o mais eficaz possível um desportivo que foi concebido em 1963, com duas características que influenciavam o seu desempenho, sobretudo face à concorrência: muito peso atrás e pouco à frente e uma generosa quantidade desta massa colocada atrás do eixo posterior, o que torna delicada a sua condução no limite.

Apesar de limitado pelas suas formas – que são um dos maiores trunfos do elegante modelo alemão – e arquitectura, Achleitner nunca se poupou a esforços para manter o 911 tão eficaz quanto possível, face a uma concorrência que adoptou a colocação central da mecânica, sem qualquer peso “pendurado” atrás do eixo traseiro, com as vantagens daí resultantes. E daí que surgissem soluções como as rodas traseiras direccionais, tecnologia popularizada pelo Renault Mégane, que ajudavam a tornar o 911 mais dócil, especialmente nas versões mais desportivas. E até foi Achleitner o pai do 911 RSR, o 911 de competição que foi igualmente o único a montar o motor à frente do eixo motriz, no local onde os veículos de série têm os dois pequenos lugares traseiros.

Agora, dias depois da apresentação da mais recente geração do Porsche 911, conhecida como 992, August Achleitner abandona a marca alemã, após 35 anos ao serviço do construtor. O seu substituto será, a partir de Janeiro, Frank-Steffen Walliser, o engenheiro de 49 que até aqui liderou o departamento de Motorsport. A este, Achleitner deixa um 911 já “com espaço para alojar baterias”, segundo anunciou em Los Angeles, além de “uma caixa de velocidades nova e com um espaço vago atrás, onde se pode aplicar um motor eléctrico”, assim que a Porsche decida avançar com o 911 híbrido.