O défice da balança comercial no que diz respeito a bens culturais agravou-se em 2017, apesar de um aumento de 33,7% das exportações face ao ano anterior, revelou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo dados estatísticos anuais da Cultura compilados pelo INE, em 2017 o valor das exportações de bens culturais portugueses foi de 57,4 milhões de euros, ou seja, registou-se um aumento de 33,7% em relação a 2016, enquanto na importação de bens culturais, no mesmo período, também houve um aumento de 17,4% para um total de 180,7 milhões de euros.

“Consequentemente, verificou-se um agravamento de cerca de 12,3 milhões de euros do défice da balança comercial de bens culturais, que se situou em 123,3 milhões de euros”, explica o INE.

Entre os bens culturais mais exportados em 2017 estiveram os livros e brochuras, com um volume total de 25,7 milhões de euros, seguindo-se os jornais (cinco milhões de euros) e os CD (6,9 milhões de euros).

Os países africanos de Língua Oficial Portuguesa foram o destino de grande parte (15 milhões de euros) das exportações portuguesas de livros e brochuras, seguindo-se países da União Europeia, com 6,4 millhões de euros.

Em 2017, Portugal importou estes mesmos bens culturais, mas num volume maior: 39,3 milhões de euros de livros, 51 milhões de euros de jornais e 26,8 milhões de euros de CD.

Os dados estatísticos permitem ainda perceber que em 2017 o setor cultural e criativo empregou em Portugal 81.300 pessoas, num valor próximo do ano anterior (81.700 trabalhadores).

Neste setor, 52% dos trabalhadores são homens, 57,4% tem entre 25 e 44 anos e 43,9% apresenta nível de escolaridade completo ou ensino superior.

Quanto ao perfil empresarial do setor cultural e criativo, o INE remete para 2016, com um aumento de 4,6%, para um total de 55.422 empresas, das quais 16.282 referem-se a atividades das artes do espetáculo e 8.568 de empresas da área de arquitetura.

Em 2016, as empresas portuguesas registaram 4,9 mil milhões de euros de volume de negócios, numa subida de 3,7% em relação a 2015 e numa tendência de crescimento desde 2013, ano em que se registaram 4,3 mil milhões de euros.

As empresas de comércio a retalho de jornais, revistas e artigos de papelaria (834 milhões de euros), as agências de publicidade (739 milhões de euros) e as empresas de atividades de televisão (632 milhões de euros) foram as que registaram mais faturaram em 2016.