A fábrica da Autoeuropa pode vir a parar mais dias do que os já previstos, devido às dificuldades de escoamento da produção automóvel provocadas pela greve no Porto de Setúbal. E essa paragem pode acontecer mais cedo do que a data já prevista. Há notícias de descontentamento na Volkswagen na Alemanha que estará a tentar contactos ao mais alto nível com o Governo para superar a situação. Contudo, fonte do gabinete do primeiro-ministro desmente ao Observador que António Costa se tenha reunido com um responsável do grupo alemão em Bruxelas.

De acordo com o Jornal de Negócios, o tempo de paragem poderá chegar a 20 dias e começar mais cedo do que o dia 22 de dezembro, data a partir da qual estava já programada uma paragem (até 4 de janeiro de 2019) que, aliás, é normal acontecer esta época do ano. O Negócios acrescenta que a laboração pode parar já no dia 17 de dezembro e que os fornecedores da unidade de Palmela já estão a ser avisados desta paragem.

Os trabalhadores da Autoeuropa foram também alertados para a possibilidade de suspensão da produção devido à acumulação de viaturas provocada pela paralisação do Porto de Setúbal, revelaram à agência Lusa funcionários da fábrica de Palmela.

“Amanhã vamos trabalhar, pelo menos no turno da manhã e no turno da tarde, mas não sabemos mais do que isso. O que sabemos é que a Base Aérea do Montijo, onde já temos milhares de viaturas, está no limite da capacidade e o parque da Autoeuropa no Porto de Setúbal também está completamente cheio”, disse à agência Lusa um trabalhador da empresa.

De acordo com informação recolhida pelo Observador, alguns trabalhadores da Autoeuropa terão sido informados na tarde de quinta-feira de que a laboração iria prosseguir como previsto, pelo menos amanhã. Mas não haverá qualquer garantia de que a administração da fábrica não decida entretanto fazer uma paragem maior. A unidade de Palmela já tem mais de 20 mil carros parqueados, alguns estão na base aérea do Montijo, a aguardar embarque por causa da greve dos trabalhadores portuários que quase paralisou o Porto de Setúbal há mais de um mês. A fábrica produz cerca de 800 automóveis por dia.

A RTP também avançava que a produção podia parar já esta sexta-feira e por tempo indeterminado, isto enquanto não houvesse garantias por parte do Governo de que a situação criada pela greve no Porto de Setúbal fosse ultrapassada. Fonte oficial da Autoeuropa não esteve até agora disponível para esclarecer informações que dão conta de uma paragem extraordinária na laboração.

A RTP deu também  conta da existência de um descontentamento da administração alemã da Volkswagen com a situação, avançando até a realização de uma reunião entre o CEO do grupo, Herbert Deiss, e o primeiro-ministro português em Bruxelas, aproveitando a deslocação de António Costa ao Conselho Europeu. Ao Observador, o gabinete do primeiro-ministro desmente que esta reunião tenha acontecido ou até que tenha sido pedida: “Desmentimos qualquer reunião em Bruxelas e nos próximos dias também não haverá”. O mesmo para a existência da reunião em Portugal, já que o primeiro-ministro só chegou esta tarde a Bruxelas, ficando fora do país durante o fim-de-semana. A mesma fonte remete o tema para o ministro da Economia.

O Observador contactou também o gabinete do ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, que no passado recente revelou a existência de contactos do Governo com a empresa para tentar encontrar soluções para o impasse criado pela greve em Setúbal. Mas não obteve para já esclarecimentos.