PSP

Nove detidos por furto de 57 pistolas Glock da Direção Nacional da PSP, dois são polícias

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Um dos suspeitos já tinha sido detido pela Polícia Judiciária na última segunda-feira. Também terá furtado armas do paiol de Tancos. Detenção precipitou operação que a PSP preparava há meses.

A PSP deu por faltas da Glock em janeiro de 2017

André Kosters/LUSA

A PSP está a realizar, esta manhã de quarta-feira, uma megaoperação policial de norte a sul do País para deter os suspeitos do furto de 57 pistolas Glock que estavam guardadas na Direção Nacional da PSP. A polícia partiu para o terreno com quatro mandados detenção, dois para uma dupla de agentes da PSP, dois para civis, mas entretanto acabou por deter mais suspeitos na sequência das buscas. Feito o balanço, neste momento são dois agentes e seis civis detidos. Há ainda um nono suspeito no processo que foi detido na última segunda-feira pela PJ suspeito de furto de material de guerra em Tancos.

O Ministério Público refere em comunicado que sete dos detidos estão relacionados com o furto de armas, enquanto dois outros foram detidos na sequência da operação na posse de “objetos proibidos”.

Ao que o Observador apurou, a investigação ao caso conhecido em janeiro de 2017 tinha já prevista esta ação policial, que ganhou o nome de código Ferrocianeto. Mas na última segunda-feira terá sido precipitada para esta quarta-feira. É que um dos visados na investigação, como suspeito, era também suspeito do furto de armas do paiol de Tancos — que foi detido na última segunda-feira pela Polícia Judiciária. “Laranjinha”, como é conhecido, será arguido em ambos os processos e encontra-se em prisão preventiva.

Neste caso, a PSP tinha quatro mandados de detenção previstos: para dois agentes da PSP e dois civis. Um seria para deter Laranjinha, que já foi entretanto detido, os restantes três foram cumpridos esta manhã de quarta-feira. São suspeitos do furto de 57 pistolas Glock que estavam guardadas na Direção Nacional da PSP.

Num comunicado enviado esta manhã, a Direção Nacional informa que estão previstas 14 buscas domiciliárias e quatro não domiciliárias de norte a sul do País. “A operação está a ser apoiada pela Unidade Especial de Polícia, Comando Metropolitano do Porto e Comando Distrital de Faro e abrange os concelhos de Vila Nova de Gaia, Gondomar, Mafra, Abrantes, Alvaiázere, Sintra, Cascais, Oeiras, Lisboa, Almada e Albufeira”, lê-se. Estão 150 polícias no terreno.

Ao final da manhã, segundo o comunicado do Ministério Público, a PSP tinha feito 15 buscas e apreendido várias armas, munições, material informático e equipamento de telecomunicações.

Quem são os suspeitos detidos?

Segundo a SIC, o agente Luís Gaiba e o agente Chora são os suspeitos da PSP detidos. Luís Gaiba chegou a ser suspenso de funções e terá sido ele a retirar as armas do armeiro da Direção Nacional da PSP — apesar de ter apontado o dedo a outros colegas. O outro detido, Armando Barro, era quem comprava e vendia as armas. Foi apanhado na zona de Oeiras.

Já o quarto suspeito visado na investigação da PSP tinha já sido detido pela Polícia Judiciária no âmbito de outro processo, o das aramas de Tancos. António Laranjinha residia em Alvaiázere e é filho de um médico de Ansião. Será constituído arguido neste caso.

Já tinham sido recuperadas oito armas. Quatro estavam em Espanha

Há cerca de dois meses o ministro da Administração Interna disse no parlamento que das 57 armas que tinham desaparecido do armeiro da Direção Nacional da PSP, em Lisboa, já tinham sido recuperadas oito. Eduardo Cabrita referiu que este armamento tinha sido apreendido em operações distintas: quatro em Espanha (três na Andaluzia e uma em Ceuta) e outras quatro em Portugal.

O ministro foi questionado durante a comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais a pedido do PSD para explicar o caso do desaparecimento das armas. “Estes factos têm mais de 18 meses e até agora nada mais de relevante foi conhecido, o Governo não deu mais informações. O Ministério da Administração Interna tem o dever de prestar esclarecimento e colocar um fim a estes longos meses de silêncio”, disse o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim.

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