PSD

Rio diz que “PSD não é pequeno” e desvaloriza críticos: “Não ouvi, já me contaram”

O presidente do PSD não quis comentar as movimentações para o afastar e diz que não ouviu as críticas de Montenegro. Rio diz que "o PSD não é pequeno" e arrancou com o processo de escolha da lista.

ESTELA SILVA/LUSA

Rui Rio ignorou por completo os movimentos internos para o afastar da liderança e não quis responder a uma única pergunta sobre o assunto na conferência de imprensa que fez a meio da reunião da Comissão Política Nacional na sede do PSD. “Não vou comentar”, começou por dizer o presidente do PSD. Os jornalistas insistiram: a direção ignora então as críticas de Luís Montenegro? “Uns ignoram, outros não. Eu não ouvi, já me contaram“. Mas teme uma moção de censura? Nesse caso, Rio limitou-se a sorrir. No meio das muitas perguntas a que não quis responder, ainda atirou: “Estaria [preocupado] se fosse verdade, mas o PSD não é pequeno.”

A resposta aos críticos veio de uma forma indireta. Rui Rio apresentou os números de militantes de 2018, em que se inscreveram no partido 5821 militantes e 872 tiveram vontade de sair. Ou seja: um balanço positivo de mais 4949 militantes. Com isto Rio quis dizer que os militantes que o elegeram, o PSD das bases, está com ele e que este é um sinal que a sua estratégia não tem de mudar.

Na mesma linha de tirar razão aos críticos, Rui Rio pôs mãos à obra. Disse que ia já a partir de quinta-feira arrancar com a parte logística das Europeias — tarefa para a qual mandatou o secretário-geral José Silvano — como também resolver a “parte política”. Ou seja: escolher a lista e o cabeça de lista às Europeias. “Ainda não tratei de nada, mas a partir de agora vou começar a tratar”, atirou. O presidente do PSD consegue assim dois objetivos: mostra que já está a meio de um processo eleitoral (logo não é aconselhável afastá-lo) e condicionar eventuais dissidentes (entre os que desejam integrar a lista a Bruxelas). Já Silvano está mandatado para “começar a nomear a estrutura de campanha das eleições europeias”.

Rui Rio disse ainda que muitas vezes deixa outros dirigentes falarem por si para que se possa “entender que o partido que se vai propor a eleições europeias e legislativas é o partido como um todo, não é só uma pessoa. O líder do partido é um elemento muito importante, mas não é um todo.” Aqui há mais um piscar de olho à estabilidade no partido: não é só Rui Rio que pode ter um mau resultado, é o partido.

Sobre a reunião da Comissão Política Nacional que continuava a decorrer na sede do PSD em Lisboa, Rio anunciou que o PSD vai criar uma “central de compras para grandes despesas em campanhas eleitorais” e avançar para a “clarificação da responsabilidade financeira”, para que fique “claro quem é o responsável das dívidas além das autorizadas pela secretaria-geral do partido”. Recorde-se que Rui Rio avançou mesmo para a responsabilização de antigos candidatos em tribunal.

Rio falou ainda da Convenção do Conselho Estratégico Nacional que se vai realizar no Europarque, em Santa Maria da Feira, a 16 de fevereiro, um ano depois do Congresso que o entronizou. Rio conta que marquem presença “todos os portugueses, militantes ou não militantes que se inscreveram no CEN, que são cerca de 1500 pessoas”. O evento terá 17 reuniões, 17 salas a funcionar (as 16 secções temáticas do CEN, e uma 17ª ca om reforma do sistema político). Na convenção vão marcar presença os ex-ministros Miguel Cadilhe e Daniel Bessa.

Rio disse ainda que está disponível para “fazer acordos e dialogar com os outros partidos (…) em nome do interesse nacional”. Para o presidente do PSD o plano nacional de grandes investimentos tem de “ter em atenção alguns pequenos investimentos” que possam potenciar grandes investimentos. Sobre as propinas, Rui Rio lembrou que o PSD mantém “a posição de sempre”, de que são para manter.

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