O Presidente da República timorense defendeu este sábado investimento adequado na componente naval das forças de defesa do país, especialmente em navios com “capacidades flexíveis e polivalentes” para garantir a proteção dos recursos marítimos e da soberania nacional.

“As Marinhas são dispendiosas, mas constituem um investimento necessário. Não as mantendo, facilmente desaparecem”, disse Francisco Guterres Lu-Olo em Hera, a leste da capital timorense.

Não nos podemos dar ao luxo de duplicar meios, razão pela qual importa dispor do financiamento adequado para investir na componente naval em navios com capacidades flexíveis e polivalentes capazes de assegurarem um leque amplo de missões e para realizar todas as ações de manutenção necessárias à prontidão operacional destes meios”, afirmou.

Lu-Olo falava na zona de Hera, a leste de Díli, nas comemorações do 17.º Aniversário da Componente Naval das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

O chefe de Estado considerou que a ação da componente naval é “fundamental para a segurança e para a atividade marítima de Timor-Leste” e que, por isso, “importa melhorar as necessárias condições de manutenção em terra da frota naval e prosseguir com o reforço da capacidade de vigilância e fiscalização dos espaços marítimos sob soberania e jurisdição do Estado de Timor-Leste”.

“Este grande desafio exige que o Estado dê a devida prioridade ao mar, garantindo a sua boa governação”, afirmou. A escassez de recursos, disse, obriga à criação de um modelo de Sistema Nacional de Autoridade Marítima “adequado à realidade timorense que garanta a colaboração de todas as entidades e instituições civis, militares e policiais, públicas ou privadas, que possam contribuir para um ambiente de segurança marítima”.

“Nesse sentido, a legislação nacional tem vindo a reforçar o modelo de duplo uso, em que a componente naval desempenha as típicas tarefas militares, em paralelo com tarefas não militares, ligadas à segurança marítima e ao exercício da autoridade pública no mar”, disse.

O chefe de Estado reiterou a importância do mar como “desígnio nacional e estratégico e como uma das prioridades nacionais”, mas recordou os desafios que a construção da componente naval tem enfrentado.

“Não foi e não é tarefa fácil transformar guerrilheiros, habituados a uma luta de sobrevivência, numas Forças Armadas convencionais e, muito menos, transformá-los em marinheiros qualificados para servir no mar. Contudo, apesar de Timor-Leste não ter tradição de mar, já conseguimos algum sucesso no desafio da transformação de mentalidades”, acrescentou.

Com uma costa de 700 quilómetros e recursos marítimas importantes, relembrou Lu-Olo, o Estado deve “proteger o mar e criar condições para que passe a desempenhar também um papel importante no desenvolvimento socioeconómico do país e, em especial, na vida das populações costeiras”.

Comemorar o Dia da Componente Naval é também afirmar a importância estratégica do mar, sendo este um dos maiores desafios do nosso País: a forma como encarar a sua relação com o mar”, disse.

“A ausência do exercício de soberania em águas de Timor-Leste foi sempre um problema presente. É portanto, essencial garantir a ocupação efetiva dos espaços sob soberania e jurisdição nacional, evitando vazios que outros tenderão a preencher”, sustentou.

Durante as cerimónias foram plantadas 10 árvores — de 200 distribuídas pelo Ministério da Agricultura e Pescas –, simbolizando a necessidade de proteger o ambiente do país.

“Quero também chamar a atenção dos militares para a importância de cuidarmos da natureza para que possamos continuar a viver em ambiente saudável.  Proteger a natureza é um dos compromissos assumidos por mim, no dia da minha tomada de posse”, disse.