A forma como o FC Porto ficou apurado para as meias-finais da Taça de Portugal não terá sido propriamente do agrado de Sérgio Conceição, que viu a equipa deixar fugir a vantagem mínima e ser submetida a mais 30 minutos de prolongamento numa altura complicada do calendário com jogos para as três competições internas, mas ainda assim ficou mais um registo para o técnico que somou pela segunda época no Dragão uma série de pelo menos 20 encontros oficiais sem derrotas, algo que apenas José Maria Pedroto e Artur Jorge tinham conseguido no comandos dos azuis e brancos. Contudo, houve algo mais emblemático na partida desta noite em Matosinhos, também ela com uma curiosidade envolvendo o treinador.

A prova de como há experiências que só resultam com o ADN original (a crónica do Leixões-FC Porto)

Há exatamente 15 anos, Sérgio Conceição, então na Lazio após passagens pelo Parma e pelo Inter, regressou ao clube então comandado por José Mourinho. “Espero ser mais um para ajudar o FC Porto nas conquistas do Campeonato e da Taça de Portugal, porque na Liga dos Campeões, infelizmente, não posso jogar”, afirmou então. Alcançou o primeiro objetivo, viu a equipa perder o segundo na final contra o Benfica e festejou ainda com os restantes companheiros novo triunfo dos azuis e brancos na Liga dos Campeões, outrora Taça dos Clubes Campeões Europeus. Esta noite, os papéis inverteram-se.

Antes de Sérgio Conceição, também Secretário e Vítor Baía tinham regressado ao FC Porto; depois, seguiram-se Lucho González e Ricardo Quaresma. Há tradição no regresso a casa dos “filhos do dragão”, com a particularidade de todos terem sido campeões na segunda passagem à exceção do extremo que representa agora o Besiktas. Foi desse clube que chegou Pepe, aos 35 anos, em mais uma confirmação da regra que teve esta noite o primeiro capítulo com a titularidade do internacional português no centro da defesa ao lado de Felipe, pela mão do antigo ala que se encontra agora na segunda época como técnico da equipa. E os elogios entre ambos já vinham da semana passada, quando o antigo central do Real começou a trabalhar no Olival.

“Falei com o mister e ele disse que ia aumentar o nível de competitividade dentro do plantel. Eu disse que queria competir, independentemente de chegar a jogar ou não. Quando há uma competição dentro de um grupo, acho que é bom, faz-me ser melhor porque vamos ao nosso limite. É um treinador super exigente e honesto com os jogadores. Gosto da mentalidade dele, da forma de ser como treinador. Ele e o FC Porto têm tudo a ver. Tem sangue azul, tem a mística do FC Porto e faz chegar isso aos jogadores. Estou feliz por ser treinado por ele e aprender com ele”, comentou o jogador.

“Encontrei-o bem, com uma vontade enorme de querer ajudar, com aquela motivação que já lhe conhecia. O Pepe é um jogador competitivo, muito sério, um excelente profissional e pessoa. Já tinha falado com ele por telefone algumas vezes. É muito agradável trabalhar com ele. A primeira coisa que me disse foi: ‘Mister, quero competir’. Isso é fantástico, chegar e dizer isso logo quando me cumprimentou. Jogar ou não, não vai ser problema, pelo menos nesta fase inicial”, referiu o técnico.

Formado no Corinthians Alagoano, de onde se transferiu para a equipa B do Marítimo, Pepe chegou a fazer testes durante duas semanas na Academia do Sporting, em Alcochete, mas a verba pedida pelos insulares acabou por abortar um eventual negócio. O luso-brasileiro cumpriu duas temporadas no conjunto madeirense antes de ser contratado pelo FC Porto em 2004, com o intuito de substituir na equipa Ricardo Carvalho, que entretanto tinha sido vendido ao Chelsea por 30 milhões de euros.

FC Porto oficializa regresso de Pepe: “Bem-vindo a casa”

Depois de ter jogado dez anos nos merengues, onde conquistou um total de 13 títulos entre os quais três Ligas dos Campeões, dois Mundiais de Clubes, uma Supertaça Europeia, três Campeonatos, duas Taças do Rei e duas Supertaças, o defesa mudou-se para a Turquia, onde esteve uma época e meia. Em dezembro, o Besiktas anunciou oficialmente a saída por mútuo acordo, com o devido pagamento de 100 mil euros até junho deste ano. Com o clube a atravessar uma grave crise financeira, Pepe teve ainda um gesto que não passou ao lado dos milhares de adeptos das Águias Negras, ao pagar do seu bolso alguns salários de funcionários do conjunto de Istambul, como cozinheiros ou tratadores da relva, no sentido de poder também ajudar.