Steny Hoyer, a segunda figura dos Democratas na Casa dos Representantes norte-americana, garantiu esta quarta-feira que o discurso do Presidente perante o Congresso — o chamado discurso do Estado da União — “está cancelado”. À CNN, Hoyer deixou o aviso: “Durante a paralisação do Governo, as coisas não vão ser feitas como é hábito.”

A intervenção estava prevista para dia 29 de janeiro. O facto de Casa dos Representantes mostrar pouca abertura para que Donald Trump fale ao Congresso — numa intervenção que costuma ser transmitida pelas televisões para todo o país —, não significa, no entanto, que o Presidente dos EUA não tenha alternativas à sua disposição para fazer o discurso.

Por exemplo, falando a partir da Sala Oval. A ideia foi, de resto, admitida por Nanci Pelosi, líder da Casa dos Representantes, aos jornalistas. Horas antes, a democrata tinha enviado uma carta a Donald Trump deixando clara a sua posição sobre a viabilidade de o discurso sobre o Estado da União acontecer.

O documento deixa em aberto outra hipótese: a de que Donald Trump envie o seu discurso por escrito, como aconteceu “ao longo do século XIX e até à presidência de Woodrow Wilson”, recordou Pelosi. A líder da Casa dos Representantes também lembrou que, desde 1977, “um discurso sobre o Estado da União nunca foi feito durante uma paralisação governamental”.

Para sustentar esse obstáculo, Pelosi lembra que há questões de “segurança” que exigem recursos do Governo Federal a que o Governo Federal não tem acesso quando enfrenta uma paralisação.

Infelizmente, dadas as preocupações com a segurança, e a menos que o Governo retome a normalidade esta semana, sugiro que trabalhemos juntos para encontrar outra data adequada depois da reabertura do Governo para que esta intervenção seja feita ou que considere a hipótese de entregar o seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso,  por escrito, a 29 de janeiro”, diz a carta que Pelosi enviou a Trump.

Foi na sequência do envio desta comunicação da líder da Casa dos Representantes a Donald Trump que Steny Hoyer surgia frente às câmaras da CNN dando conta de que o discurso não ia acontecer. Até ao momento, não houve qualquer confirmação dessa informação por parte da Casa Branca.

A paralisação do Governo já vai na sua quarta semana consecutiva. É o mais longo período em que um executivo norte-americano esteve impedido de fazer uso dos recursos que tem à sua disposição, e na base desta paralisação está a intenção de Donald Trump avançar com a construção de um muro na fronteira entre os EUA e o seu vizinho a sul, o México.