Parlamento Europeu

Maria João Rodrigues e o caso de assédio laboral: “Há tendência para partidarizar estes casos”

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A eurodeputada Maria João Rodrigues desvaloriza a investigação de que está a ser alvo no Parlamento Europeu. Em causa estão queixas de assédio laboral.

Maria João Rodrigues confirmou a investigação em declarações ao Politico

Philippe BUISSIN

A eurodeputada portuguesa Maria João Rodrigues está a ser investigada por assédio moral pelo Parlamento Europeu, de acordo com uma notícia do Politico. A investigação foi aberta depois de uma funcionária ter feito nove queixas separadas contra a socialista, acusando-a de tentar reduzir as horas de trabalho e o salário de uma assistente que tinha estado em licença de maternidade. Maria João Rodrigues também é suspeita de ter pedido a um funcionário em baixa médica para trabalhar durante a noite; e de ter exigido a outros que trabalhassem muitas horas além do horário laboral.

Em declarações ao Politico, Maria João Rodrigues confirmou que “há uma queixa de uma assistente” relacionada com “compreensões diferentes dos deveres profissionais de um assistente parlamentar”. “Este é um procedimento padrão para lidar com situações como esta e definir uma boa solução, mas precisamos de esperar pelo resultado final”, acrescentou a socialista, uma das mais respeitadas da sua área e tida como garantida pelo PS nas próximas eleições europeias.

Maria João Rodrigues desvaloriza e diz que a investigação se relaciona com as queixas de uma assistente parlamentar: “Colaborou comigo durante três anos, apresentou uma queixa, muito embora nunca tenha manifestado qualquer problema ou mal-estar”, declarou a eurodeputada à TSF, acrescentando que tentou conversar posteriormente com a assistente sobre esta matérias, mas que ela recusou.

Em causa, confirma, estariam chamadas “depois das 17h”, que Rodrigues não nega. “Verificou-se quando eu tinha um problema de viagem com alguma alteração de planos ou necessidade de remarcar um avião”, explica, garantindo que tal não aconteceu mais do que “6 ou 7 vezes por ano”. “Mas ela entende que isso vai além da sua obrigação profissional”, afirma, reconhecendo que a pressão de trabalho é naturalmente elevada quando se trabalha num gabinete de alguém “que não é só deputada mas é também vice-presidente de bancada e, durante uma certa fase, foi mesmo líder de bancada de um grupo que tem 180 deputados”.

Isso mesmo recorda o Politico, que a descreve como a principal coordenadora do trabalho do grupo partidário em matéria de “política social, era digital e desigualdades”. “Ela tem desempenhado um papel essencial em elaborar a plataforma centro-esquerda para as eleições do Parlamento Europeu em maio”, descreve o jornal. Maria João Rodrigues é também a vice-presidente da Aliança Progressiva de Socialistas e Democratas, o segundo maior grupo no Parlamento Europeu. O primeiro é o Partido Popular Europeu.

De acordo com o Parlamento, o assédio psicológico acontece perante casos de “conduta imprópria” que seja “repetitiva ou sistemática e envolva comportamento físico, linguagem falada ou escrita, gestos ou outros atos que sejam intencionais e que possam minar a personalidade, dignidade ou a integridade física ou psicológica de qualquer pessoa”. São essas acusações que Maria João Rodrigues enfrenta, após queixas feitas em junho de 2018. De acordo com o Politico, já várias pessoas foram entrevistadas no âmbito da investigação.

Para a eurodeputada socialista, o caso não destoa de outros que já decorrem no Parlamento Europeu, em que há “entendimentos diferentes das obrigações parlamentares e há uma comissão parlamentar que lida com isto”. O facto de esta denúncia ter sido tornada pública agora, perto das eleições europeias, revela para Maria João Rodrigues que “há uma certa tendência para pegar em casos destes e dar-lhes um tratamento mais partidarizado.”

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