As Nações Unidas estimam que 2,3 milhões de pessoas, cerca de 10% da população, venham a precisar de ajuda humanitária no Níger, apontando necessidades de financiamento de quase 400 milhões de dólares (cerca de 349,5 milhões de euros).

Segundo dados divulgados esta terça-feira pelas Nações Unidas, atualmente existem já 1,6 milhões de pessoas a necessitar de assistência humanitária, tendo o plano de Resposta Humanitária de 2018, estimado em 338,3 milhões de dólares (cerca de 295 milhões de euros), sido financiado, até ao momento, apenas em 176,3 milhões de dólares (cerca de 154 milhões de euros).

Nesse sentido, as Nações Unidas estimam precisar para 2019 de 383 milhões de dólares (cerca de 335 milhões de euros), prevendo que o número de pessoas a precisar de ajuda humanitária possa atingir os 2,3 milhões, 10,4% da população total deste país da África Ocidental.

Segundo explicou à ONUnews a coordenadora da Nações Unidas para o Níger, Fatoumata Bintou Djibo, o plano para 2019 pretende lançar uma estratégia de três anos para responder às necessidades imediatas e permitir a recuperação a longo prazo das comunidades mais vulneráveis.

A insegurança alimentar, com cerca de 1,5 milhões de pessoas a precisarem de assistência, e a subnutrição, que atinge cerca de 1,8 milhões de pessoas, incluindo mais de 380 mil crianças e mais de 300 mil mulheres grávidas e lactentes, são os principais desafios que o Níger enfrenta em 2019.

O país terá ainda de lidar com os mais de 200 mil refugiados e deslocados internos devido à insegurança e aos conflitos, bem como com as mais de 200 mil pessoas afetadas pelas inundações cíclicas.

As organizações humanitárias alertam igualmente para a possibilidade da disseminação de epidemias potenciada pela conjugação de fatores como movimentos de população, inundações, insegurança alimentar, aumento de pessoas não vacinadas, acesso inadequado a serviços de saúde e sistemas de higiene insuficientes.

Nos últimos anos, o Níger enfrentou múltiplas crises humanitárias, resultado de causas estruturais e cíclicas e agravadas pela violência entre grupos e comunidades, o que fez aumentar a vulnerabilidade de milhões de pessoas que já se encontravam em situação de pobreza.