Venezuela

Venezuela reforça presença militar junto à fronteira com a Colômbia

A Venezuela mantém uma "presença reforçada" na fronteira com a Colômbia desde que começou a ser armazenada parte da ajuda humanitária na cidade limítrofe de Cúcuta, assegurou o ministro da Defesa.

A cidade colombiana de Cúcuta conta com o primeiro de três centros de armazenamento onde está a ser colocada a ajuda

Mauricio Duenas Castaneda/EPA

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  • Agência Lusa
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A Venezuela mantém uma “presença [militar] reforçada” na fronteira com a Colômbia desde que começou a ser armazenada parte da ajuda humanitária na cidade limítrofe de Cúcuta, assegurou esta segunda-feira o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino.

Em declarações aos jornalistas após participar numa cerimónia militar, o ministro da Defesa referiu-se a uma “presença reforçada em toda a fronteira, não pelo ‘show’ da ajuda humanitária (…) mas por todos os delitos que se cometem e todos os males provenientes da República da Colômbia”.

Juan Guaidó, reconhecido pelos Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia (UE) como Presidente interino da Venezuela, lidera uma operação para fazer chegar à Venezuela ajuda humanitária enviada por uma coligação internacional.

A cidade colombiana de Cúcuta, onde se sitiam as principais passagens fronteiriças com a Venezuela, conta com o primeiro de três centros de armazenamento onde está a ser colocada a ajuda, incluindo alimentos e medicamentos.

No entanto, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militarizada) bloqueou a ponte de Tienditas, uma moderna infraestrutura ainda não estreada que une os dois países e por onde deveria transitar a ajuda.

Antes do início do armazenamento, Vladimir Padrino considerou que essa ajuda é um ‘show’ e sublinhou que “caso houvesse um ápice de seriedade, tanto jurídica como do ponto de vista internacional, de boa vontade, de boa fé”, encararia a situação “de uma forma distinta”.

[A ajuda humanitária] é uma aberração. Pretende fazer-se chantagem com a Venezuela com este tema”, susteve Padrino, que liderou um ato com militares onde foi assinada uma carta promovida pelo Presidente Nicolás Maduro para pedir aos Estados Unidos que não concretizem uma intervenção militar na Venezuela.

O ministro da Defesa justificou ainda o encerramento da fronteira comum “pelos males provenientes da Colômbia”, referindo em concreto ao “contrabando, narcotráfico e grupos paramilitares”.

Em paralelo, María Teresa Belandria, a nova “embaixadora” da Venezuela no Brasil, designada por Juan Guaidó, apresentou hoje as suas credenciais ao Governo de Jair Bolsonaro e disse que vai coordenar “desde já” a entrega de ajuda humanitária ao seu país.

Em Brasília, María Teresa Belandria, designada pelo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó a “representante diplomática” da Venezuela, disse aos jornalistas que se começa a “avançar para uma relação política plena com o Governo do Brasil”, comprometendo-se a “dar todo o apoio possível” para a instalação de um centro de armazenamento de ajuda humanitária na fronteira com a Venezuela”.

A representante de Guaidó, que se autoproclamou Presidente da Venezuela em 23 de janeiro, indicou que a ajuda humanitária foi o principal ponto na reunião que manteve com o chefe da diplomacia brasileira, Ernesto Araújo, que recebeu as suas credenciais.

“Neste momento damos total prioridade à ajuda humanitária” porque “os venezuelanos necessitam medicamentos e alimentos com urgência”, disse Belandria, antes de assinalar que o centro de armazenamento vai situar-se no Estado de Roraima, no norte do Brasil e fronteiriço com a Venezuela.

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