Liga dos Campeões

Assobios, garrafas de cerveja, choque com o gradeamento e duas assistências: “la revenge” de Di María

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Sem Neymar e Cavani, Mbappé marcou mas Di María foi a maior figura do PSG, numa espécie de fantasma que voltou a Old Trafford para assombrar o United que sofreu a primeira derrota com Solskjäer.

Di María voltou a Old Trafford, onde jogou em 2014/15 sem nunca convencer administração e adeptos do Manchester United

AFP/Getty Images

A receção do Manchester United versão Solskjäer (que já há jogadores que descrevem quase como uma nova versão Ferguson) ao PSG era daqueles jogos abertos de tripla de Totobola nestes oitavos da Liga dos Campeões. Quem fosse pelo 1, ia bem: desde que o antigo avançado assumiu o comando dos red devils que a equipa sofreu uma enorme mudança, melhorando nos resultados e em termos qualitativos (dez vitórias e um empate). Quem fosse pelo X, também não ia mal: apesar de tudo, Champions é sempre Champions e uma primeira mão entre duas equipas com estas características tinha tudo para ser resolvida no segundo jogo. Quem fosse pelo 2, era mais ousado mas igualmente lógico: mesmo sem Neymar e Cavani, os franceses têm sempre mais uma estrela de luxo pronta para chegar à ribalta no meio da constelação. Foi isso mesmo que aconteceu.

Esta terça-feira, Laurent Blanc, antigo jogador dos dois conjuntos agora treinador, dizia que um dos problemas do PSG era ter vários jogos na Ligue 1 com 70% de posse e inúmeras facilidades para depois tropeçar numa realidade europeia com contornos trocados. No entanto, foi exatamente pela bola, ou pela capacidade de saber o que fazer com ela, que esteve o segredo gaulês para a vitória por 2-0 fora que praticamente sentencia a eliminatória. E numa altura em que o conjunto de Manchester parece já ter afastado uma espécie de “fantasma do passado” chamado José Mourinho, apareceu esta noite outro para assombrar a noite dos britânicos: Ángel Di María, que foi a chave que abriu um jogo que andava teimosamente num nulo ao intervalo.

É essa a virtude do conjunto orientado pelo alemão Thomas Tuchel: quando a maioria está “preocupada” em perceber se, com Neymar e Cavani de fora, Mbappé é capaz de pegar na batuta ofensiva da equipa (que pegou, confirma-se), existe uma certa tendência para esquecer que a segunda linha pronta para entrar era titular em quase todas as equipas do mundo. E é aqui que entram Di María e Draxler, com destaque para o argentino de 30 anos que foi protagonista em vários momentos.

Depois de já ter sido assobiado à chegada a Old Trafford, o esquerdino foi projetado ainda na primeira parte num lance com Ashley Young para fora das quatro linhas, embatendo com violência no gradeamento que separa os adeptos do terreno de jogo. Logo aí, ouvindo também algumas “bocas”, fez aquele sinal como quem quer ouvir mais e ainda lançou um beijinho. E voltou a surgir mais uma vez na segunda parte, quando, já depois de ter feito a assistência para o primeiro golo de Kimpembe num canto, agarrou numa garrafa de cerveja que tinha sido atirada para o terreno de jogo e simulou que estava a beber. Pouco depois, mais um “golpe”: foi Di María que construiu a jogada do 2-0, assistindo Mbappé para o desvio final.

Formado no Rosario Central, Ángel Di María começou a sua aventura europeia no Benfica, de onde saiu após o primeiro ano de Jesus em 2010 para o Real Madrid por 33 milhões de euros (depois de ganhar um Campeonato e duas Taças da Liga). Na capital espanhola, ao lado de Ronaldo e companhia com José Mourinho como treinador, o argentino venceu todas as provas (incluindo uma Liga dos Campeões e uma Supertaça Europeia, além de um Campeonato, duas Taças de Rei e uma Supertaça) e saiu depois do Mundial de 2014 para o Manchester United por 75 milhões de euros, numa das maiores transferências do clube.

A expetativa era muita, o número da camisola escolhido ainda reforçou mais esse peso (o 7 de Ronaldo, Best, Cantona e Beckham) mas as coisas nunca correram bem ao canhoto, que fez apenas quatro golos em 32 jogos numa época onde teve também alguns problemas físicos. Depois de ser considerado a pior contratação do ano, a pressão sobre o seu negócio e a falta de rendimento desportivo aumentou ao ponto de ser vendido no verão seguinte ao PSG por 63 milhões de euros, ganhando daí para cá dois Campeonatos, três Taças de França, três Taças da Liga e duas Supertaças. “Fiquei pouco tempo no Manchester United. Não foi o melhor período da minha carreira, não me deixaram fazer melhor. Tive alguns problemas com o treinador da época, Van Gaal, e isso prejudicou-me. Felizmente pude rumar ao PSG, onde voltei a ser o mesmo”, disse antes deste jogo.

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