“Nada nem ninguém te vai parar”. O refrão completo do novo single de Churky pode ter apenas seis palavras, mas carrega uma lição vitalícia. Só vence quem acredita e vai à luta. Há um ano, foi isso que Diogo Rico Rodrigues – assim é o nome de batismo – fez. Os louros estão à vista. Com um primeiro disco acabado de sair do forno, é ele o vencedor da edição portuguesa de 2018 do EDP Live Bands. O concurso anual que apoia talentos emergentes da música portuguesa vai continuar a fazer fervilhar o novo sangue do universo das canções.

As inscrições para a sexta edição em Portugal acabam de ser abertas, e assim ficarão até 24 de março. Em simultâneo, inauguram também a primeira fase das versões brasileira (a quarta) e espanhola (a segunda) para as bandas amadoras dos respetivos países. Sinais de uma curva ascendente de crescimento – literal e figurativo — e notoriedade do projeto da EDP, que arrancou em 2014 por cá.

“Foi brutal. As memórias visuais da plateia. Havia uma pressão gigante por ser o NOS Alive, mas eu estava tranquilo. Toquei com amigos, para amigos e para o público em geral. Um grande ambiente”. A gratidão ainda se sente em cada palavra de Churky, o vencedor português em 2018, quando recorda o dia em que atuou no festival NOS Alive, em Algés. Não é por menos. Este é um dos prémios atribuído ao vencedor do EDP Live Bands: a oportunidade de sair da garagem e tocar ao vivo neste popular festival de música, que no ano passado recebeu, diariamente, 55 mil pessoas.

Além do concerto em Algés organizado pela Everything Is New e de subir ao palco do Mad Cool Festival, em Madrid, a banda vencedora pode ainda editar um disco com a chancela da Sony Music e apresentá-lo em formato showcase nas FNAC, de norte a sul. Mas no ano em que o EDP Live Bands assinala meia década de acordes, há duas novidades nos prémios: a gravação de um teledisco e a disponibilização de autocarros para os fãs e familiares das seis bandas finalistas para a grande final, ao vivo, que vai ditar o vencedor. Será no Lx Factory, a 24 de maio, mesmo dia em que as bandas em concurso participarão num workshop e troca de ideias com figuras de relevo do mundo da música.

Antes disso, de entre os 36 semifinalistas (ou mais, em caso de empate) anunciados a 16 de abril, o público escolhe a sua banda preferida, e um leque de jurados ligados ao mundo da música (do qual Tiago Bettencourt é, este ano, convidado especial) fica responsável pelas restantes cinco. O encore do espetáculo coroará, então, o grande vencedor que se apresentará semanas depois em Algés, à semelhança dos vencedores no Brasil e Espanha.

NOS Alive, uma “estaleca de estrada enorme”

“Naquela altura em que ganhas e em que tocas no NOS Alive, foi uma loucura. É um salto enorme. Sentimos uma grande diferença na atenção que recebemos do público”, explica Hugo Luzio, baterista dos Them Flying Monkeys. Chegaram, viveram e venceram na edição de 2016. Têm andado na estrada desde então e um segundo disco de originais está previsto para este ano. “Tocar no NOS Alive deu-nos uma estaleca de estrada enorme. Passámos de tocar em bares com 20 pessoas para aquele palco”, recorda o músico. O colega e vocalista do grupo, Luís Judícibus, completa-lhe o raciocínio. “Foi realmente enriquecedor andar nos bastidores, no pré e pós-concerto, a perceber como tudo funciona a uma escala enorme como esta. A dinâmica é muito interessante”, frisa.

Datas importantes para a edição portuguesa:

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  • Período de inscrições: 12 de fevereiro a 24 de março
  • Fase de votação das bandas candidatas para acesso à semifinal: 12 de fevereiro a 12 de abril
  • Divulgação dos semifinalistas: 16 de abril
  • Fase de votação nas bandas semifinalistas para acesso à final: 16 de abril a 2 de maio
  • Anúncio dos finalistas: 6 de maio
  • Final num concerto ao vivo e consagração do vencedor: 24 de maio
  • Apresentação ao vivo no NOS Alive ’19 e Mad Cool Festival (Madrid): 11, 12 e 13 de julho (uma das datas, a definir pela organização de ambos os festivais)

 

Segue-se a gravação de um álbum com a Sony e quatro showcases nas lojas FNAC.

Para participar na versão portuguesa, e seguir os exemplos de Churky e Them Flying Monkeys, entre outros vencedores, as bandas amadoras terão de carregar uma música original no site do concurso e convidar amigos para votarem via Web. Diogo Rico Rodrigues, conhecido como Churky, foi alertado para a inscrição por um amigo. Acasos felizes. “Assim que soube do projeto, não tive dúvidas. Temos de ir à guerra. Quero que a minha música chegue ao maior número de pessoas”, conta ao Observador o compositor e cantor que editou agora o seu álbum É.

O jovem explica que o volume de trabalho e as oportunidades aumentaram desde o EDP Live Bands, mas não só. “Ao nível da afirmação e validação do que faço, senti uma grande diferença com a participação. Tem sido altamente”, sorri Diogo, que estará em março em digressão por Lisboa, Aveiro e Alcobaça. E por isso mesmo, realça: “É fundamental que se aposte e que existam concursos deste género. O mundo move-se tão rápido. Isto faz com que artistas venham ao de cima”, explica o jovem.

Os conselhos para este ano

As paredes não têm ouvidos é o slogan deste projeto de sucesso. Mas apesar delas não os terem, o EDP Live Bands tem, e já consagrou 11 bandas emergentes ao longo das suas edições internacionais e nacionais. Os números não deixam dúvidas: nas últimas cinco edições portuguesas, mais de 1600 bandas já se inscreveram nesta que é uma inegável rampa de lançamento.

Hugo Luzio, que venceu em 2016 com os seus Them Flying Monkeys, não hesita com a sua resposta pragmática, quando questionado sobre o conselho a dar às bandas que se vão inscrever este ano. “Não se preocupem demasiado e sejam fiéis à sonoridade da banda. E na final, não toquem para o júri, mas sim para a plateia”, aconselha.

Tiago Bettencourt, que este ano reforça o leque de jurados, afina pelo mesmo diapasão. “Originalidade e honestidade” são algumas das qualidades que mais quer ver nas bandas emergentes do EDP Live Bands 2019, que premiará também índices como qualidade técnica e musical, naturalmente. O músico e ex-vocalista dos Toranja quer que se faça “algo diferente, mas sem fórmulas e sem planos estratégicos”, refere. “Estou sempre atento a novas bandas e algumas acabam por ficar esquecidas. Aqui, temos um prémio e uma oportunidade magníficos”, remata. Afinal, Bettencourt fala com conhecimento de causa, tendo também sido descoberto numa competição semelhante há vários anos. O resto é história. Como poderá ser para uma nova banda este ano.