Os Governos de Angola e do Uruguai assinaram esta segunda-feira, em Luanda, acordos nos domínios da facilitação de vistos para empresários, cooperação e assistência administrativa e aduaneira, ensino superior, ciência tecnologia e inovação e um memorando sobre cooperação político-diplomática.

Os acordos foram rubricados na sede do Ministério das Relações Exteriores de Angola, no quadro da visita de três dias que o ministro das Relações Exteriores uruguaio, Rodolfo Nin Nóvoa, está a realizar a Luanda, a convite do homólogo angolano, Manuel Augusto.

No primeiro dia de trabalhos em Angola, as delegações ministrais de ambos os países passaram em revista 31 anos de cooperação bilateral quase residual, reunião que culminou com a assinatura dos acordos, rubricados pelos chefes da diplomacia dos dois países e ainda pelo ministro das Finanças angolano, Archer Mangueira.

Numa conferência de imprensa conjunta, o chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto, assinalou as relações bilaterais “muito boas” e valorizou os acordos, sublinhando que os documentos inscrevem-se na estratégia do Executivo angolano para a diversificação da economia.

“Assinamos acordos na área aduaneira, o que é muito importante, e também na migração, para facilitar o movimento entre homens de negócios dos dois países. A questão da formação técnica é outra preocupação permanente do nosso Governo”, disse Manuel Augusto.

“Queremos beber a experiência do Uruguai e assinamos instrumentos na área da educação e ensino superior, bem como na área política e diplomática”, acrescentou, destacando o Memorando de Entendimento sobre Cooperação entre o Instituto Superior de Relações Internacionais Venâncio de Moura e a Academia Diplomática do Uruguai. Segundo Manuel Augusto, o memorando traduz-se numa “aposta para formação contínua dos quadros angolanos”.

Angola e Uruguai, estabeleceram relações diplomáticas a 26 de março de 1988, e mantêm uma cooperação nos domínios do turismo, agronegócio e na formação e educação.

Para Manuel Augusto, há ainda um “potencial muito grande a explorar” pelos agentes económicos dos dois países, pelo que a visita do homólogo uruguaio irá ajudar para reforçar a cooperação bilateral.

“Esperamos que, no final da visita, possamos anunciar também resultados concretos das negociações que hoje se iniciam e que se vão prolongar durante as próximas 48 horas”, concluiu.

Os trabalhos prosseguem terça-feira com uma reunião da comissão bilateral, que contará também com intervenções do ministro do Comércio angolano, Jofre Van-Dúnem Júnior, e dos presidentes dos conselhos de administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), Licínio Conterias, e da empresa Angola Cables, António Nunes.

Uruguai quer apoiar transformação da agricultura angolana

O ministro das Relações Exteriores uruguaio manifestou esta segunda-feira disponibilidade do Uruguai em ajudar Angola a transformar a agricultura de subsistência para uma de cariz mais empresarial, no quadro da diversificação económica angolana.

Rodolfo Nin Novoa, que falava esta segunda-feira, em Luanda, no final de um encontro de trabalho entre delegações ministeriais dos dois países, no âmbito do seu primeiro dia de vista a Angola, afirmou que os dois países “têm a mesma visão sobre os problemas mundiais”.

O Uruguai é um grande produtor de alimentos, Angola é um grande produtor de energia através do petróleo. Temos imensas matérias e amplas possibilidades de intercâmbio em benefício dos nossos povos, que é o objetivo final de qualquer Governo do mundo”, disse.

Falando em conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo angolano, Manuel Augusto, o chefe da diplomacia uruguaia “enalteceu as reformas” em curso no em Angola, sobretudo no quadro da diversificação da economia baseada no petróleo.

Segundo Rodolfo Nin Novoa, Angola “tem feito vários esforços em diversas frentes”, sobretudo na institucionalização democrática e na aposta na diversificação da produção. “É um país muito dependente do petróleo e vemos como se tem esforçado para diversificar a sua matriz produtiva e ter uma outra fonte de sustento. Desse ponto de vista, tem condições excecionais para a agricultura”, apontou.

“Sendo um país eminentemente agrícola, o Uruguai pode oferecer a sua experiência para passar de uma agricultura de subsistência para uma agricultura mais empresarial”, assegurou.

O chefe da diplomacia do Uruguai, que foi igualmente recebido esta segunda-feira em audiência pelo Presidente angolano, João Lourenço, deu conta que abordou com o estadista angolano questões de política internacional, com destaque para a situação política na Venezuela.

“Nesse sentido trocamos impressões, sobretudo, a situação da Venezuela. A posição do Uruguai, tal como a de Angola, defende o diálogo, a compreensão e o respeito pelas decisões tomadas internamente”, sustentou.

“Esperamos que a América Latina e o Caribe sejam uma zona de paz”, concluiu.