“Não sei”. Foi esta a resposta da bastonária da Ordem dos Enfermeiros quando questionada sobre se havia uma saída para o impasse nos enfermeiros. Em entrevista ao Jornal de Negócios, Ana Rita Cavaco admitiu mesmo que não vê os enfermeiros “com intenção de parar” e diz-se preocupada.

A bastonária acredita que os enfermeiros “já não têm nada a perder” e que, por isso, podem vir a tomar “medidas mais drásticas” — o que, diz, não gostaria de ver a acontecer. “Quando as pessoas já não tem nada a perder avançam para outras formas de luta, essas sim, que não estão organizadas nem controladas por nenhuma entidade ou estrutura sindical, é que nos preocupam muito”, referiu.

A ação gera reação. E portanto a preocupação do primeiro-ministro e do Governo deveria ser evitar que isto aconteça”, disse ainda na entrevista.

Sobre o parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) que considerou a greve cirúrgica dos enfermeiros ilegal, a bastonária explicou que esse parecer se baseia em dados fornecidos pelo Ministério da Saúde que os enfermeiros não conhecem. “Libertado o parecer importava conhecer as perguntas e o tipo de informação fornecida ao conselho consultivo”, defendeu Ana Rita Cavaco.

Greve dos enfermeiros. O parecer da PGR explicado em 5 pontos

Questionada sobre se achava que os serviços mínimos deveriam ter sido mais abrangentes, a bastonária explicou que não foi reportada à Ordem por parte dos enfermeiros diretores dos hospitais qualquer informação relativamente à violação dos serviços mínimos. Ana Rita Cavaco disse que foi informada de que “não havia nada a reportar à Ordem”.

Se não houve [essa informação] é porque estavam adequados”, acrescentou ainda a bastonária dos Enfermeiros.

A bastonária garantiu ainda que irá “apoiar os enfermeiros na defesa da sua profissão e da sua dignidade, que está a ser muito atacada”, apesar da divisão dos sindicatos dos enfermeiros quanto a continuar a greve cirúrgica. A Associação Sindical dos Enfermeiros suspendeu a greve esta terça-feira mas o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal vai continuar a paralisação — posições diferentes mas que Ana Rita Cavaco diz perceber. “Cabe à liberdade sindical. E eles são livres de tomar a posição que entenderem. Mas nós percebemos a posição de um e do outro”, referiu.