Os portugueses e os Óscares andaram sempre de costas voltadas. A maior prova é o recorde — negativo — que detém: Portugal é o país que mais vezes submeteu títulos à nomeação de Melhor Filme Estrangeiro, sem alguma vez ter conquistado alguma. No total foram 35 títulos submetidos desde 1980, o último a ser Peregrinação, de João Botelho, este ano. Mas na noite deste domingo esse afastamento foi atenuado. Não houve portugueses nomeados nem, muito menos, nenhum a subir a palco. Mas houve dois portugueses a participar na edição de um dos vencedores da estatueta mais prestigiada do cinema.

Joana Niza Braga e Nuno Bento fizeram parte da equipa de edição de som de Free Solo, o vencedor na categoria de Melhor Documentário. Num filme co-produzido pelo canal de televisão National Geographic, os realizadores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi seguem o percurso do alpinista norte-americano Alex Honnold na escalada, sem cordas ou proteções, da parede de granito El Capitan, localizada no Parque de Yosemite, nos Estados Unidos, e com 900 metros de altura.

O trabalho de Joana e Nuno teve a designação de “foley mixer” e “foley artist“. Duas funções que, resumidadamente, passam pela criação de sons que não conseguiram ser captados no momento e no local da rodagem original. Um pouco como se fazia nas antigas radio-novelas, com a simulação de sons com todo o tipo de materiais.

O documentário já tinha sido distinguido nos prémios BAFTA, recebendo agora a condecoração mais importante da esfera cinematográfica. “Free Solo” tem estreia marcada para dia 9 de março e num local muito perto de si: o seu sofá. A entrada em cena não será feita nos cinemas, mas sim no canal National Geographic, às 21h desse dia.

Quem são Joana Niza Braga e Nuno Bento?

Os dois portugueses presentes na ficha técnica de Free Solo ficam um pouco escondidos do mediatismo que uma gala como os Óscares tem. Mas quem são os dois talentos portugueses? Joana Niza Braga tem 27 anos e vem do Barreiro. Completou a licenciatura de cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, tendo já participado em quase 50 produções cinematográficas na sua carreira. Na semana passada foi distinguida pelo mesmo documentário na Cinema Audio Society Awards, pela boa prestação como foley mixer.

Joana, no momento em que recebeu o prémio da Cinema Audio Society Awards

Nuno Bento tem um percurso semelhante. Também com 27 anos, começou a sua carreira na ETIC, Escola de Tecnologias Inovação e Criação. Já participou em mais de 50 produções cinematográficas e já foi distinguido nos prémios norte-americanos Golden Reel, pelo trabalho de edição de som no documentário que agora venceu o Óscar. Ambos trabalham para a produtora Loudness Films.

Nuno a gravar nos estúdios da Loudness Films