O lançamento de um abaixo-assinado em defesa da melhoria do serviço ferroviário foi esta quinta-feira assinalado, na estação de Queluz-Belas, pela Comissão de Utentes da Linha de Sintra (CULS), que reclama o reforço de meios humanos e de material circulante.

Segundo explicou à agência Lusa Álvaro Pinto, da CULS, a iniciativa visou alertar para “a degradação em que se encontra o caminho de ferro, no geral, e principalmente na Linha de Sintra”. “Tem que ver com o desinvestimento, nesta última década, principalmente, [em] que os sucessivos governos têm imposto o comboio ao abandono”, frisou o representante dos utentes.

No acesso à estação de Queluz-Belas, quando os aguaceiros deram uma trégua, um grupo da CULS tentou que as pessoas abrandassem o passo para ouvir a explicação para a recolha de assinaturas.

“Basta de viajar como sardinha em lata”, “Comboios parados, não! A andar, sim!!!” e “Horários são para cumprir” eram algumas das palavras de ordem escritas em placas empunhadas pelos elementos da CULS.

O porta-voz da CULS salientou que, devido à falta de material circulante, que provoca atrasos e supressões, as pessoas “têm a expectativa de chegar em determinada hora ao seu local de trabalho e o comboio que estavam a contar de apanhar foi suprimido, quer de manhã, quer à noite”.

“Isto não é uma vez, tem acontecido ‘n’ vezes, isto já é rotina, claro que cada vez mais as pessoas estão inconformadas e desalentadas porque estão a empurrar para o transporte privado”, criticou.

O representante dos utentes estimou que, neste momento, em termos de material circulante, “estão a circular só 90% dos efetivos da CP”, a que acresce também a falta de trabalhadores da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário).

O abaixo-assinado, que vai circular nos comboios e nas estações, será posteriormente entregue à Infraestruturas de Portugal, empresa responsável pela gestão da ferrovia.

Após assinar o documento, José Martins, 74 anos, admitiu à Lusa que se nota “algumas falhas de serviço”, principalmente em termos de supressão de comboios. O morador em Monte Abraão recordou que antes a Linha de Sintra era servida por comboios com oito carruagens e atualmente apenas circulam “comboios com quatro carruagens, que levam metade dos passageiros”.

No abaixo-assinado, “por um serviço público de qualidade na Linha de Sintra”, refere-se que os utentes “constatam diariamente a degradação do serviço ferroviário, sendo os atrasos constantes e as supressões de comboios sistemáticas”.

“Estamos com cerca de 10% da frota imobilizada porque o Governo continua a recusar a contratação dos trabalhadores necessários às oficinas de manutenção e reparação da CP”, afirma-se no documento.

Perante a degradação do serviço prestado, os utentes exigem “o fim das supressões e atrasos sistemáticos, repondo um nível de oferta superior ao atual em pelo menos mais 10%, e articulando o transporte ferroviário com os restantes meios da Área Metropolitana de Lisboa”.

A “contratação imediata dos trabalhadores necessários” para dotar a EMEF da “capacidade de resposta à reparação e manutenção do material circulante da CP” e as estações da Linha de Sintra “do pessoal necessário à abertura das bilheteiras e postos de informação” também é reclamada no abaixo-assinado.

A criação, junto das estações, de espaços de estacionamento gratuito e a requalificação da estação de Algueirão-Mem Martins são outras exigências.

O vereador da CDU na Câmara de Sintra, Pedro Ventura, considera “completamente impossível” que a CP consiga responder ao previsível aumento da procura devido à redução do preço do passe, a partir de abril, na Área Metropolitana de Lisboa. “Aquilo que os estudos dizem é que vai haver um aumento imediato de 30%” de passageiros, vincou o autarca.

O eleito da CDU lembrou que nos tempos da troika, quando foram reduzidas composições e horários, “os comboios andavam sobrelotados” e que não existindo mais composições e outro tipo de horários, “a CP não terá capacidade de aguentar” a sobrecarga de utentes.

Pedro Ventura justificou a solidariedade com a CULS por ser “um movimento inteiramente justo” e apontou a necessidade de investir em material circulante, numa linha cada vez mais procurada por turistas, onde estações como a Portela de Sintra “não tem as mínimas condições”.

“A Linha de Sintra, sendo a linha mais lucrativa do país, não tem o investimento que devia ter”, criticou.