O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apresentou esta quinta-feira queixa contra uma opositora que acusa de “injúria”, por ter referido que o chefe de Estado qualificava de “terroristas” os eleitores que não votam em si. A queixa, que visa Meral Aksener, dirigente do partido de direita Iyi (Bom), foi apresentada pelos advogados do Presidente turco na procuradoria de Ancara, referiu a agência noticiosa estatal Anadolu.

Em causa estão as declarações de Aksener na quarta-feira em Denizli (oeste), durante um comício de campanha para as eleições municipais de 31 de março: “Como vão, queridos habitantes de Denizli que o Presidente da República qualifica de terroristas?”, referiu a opositora no início da sessão. “Há 17 anos que essa pessoa conduz uma política que nos divide e nos lança uns contra os outros”, acrescentou Aksener, que já dirigiu o Ministério do Interior.

Estas declarações implicaram uma reação imediata de Erdogan, que tem acentuado as críticas a esta dirigente de um partido da oposição, em detrimentos dos ataques lançados contra o seu principal opositor, Kemal Kiliçdaroglu, chefe dos sociais-democratas do CHP.

O Presidente turco é regularmente acusado pelos seus opositores de diabolizar os que não votam em si, e de ter polarizado profundamente a Turquia desde a sua chegada ao poder em 2003, assinala a agência noticiosa AFP.

Nos seus discursos políticos, Erdogan tem acusado dirigentes dos partidos da oposição, em particular o pró-curdo e de esquerda HDP, mas também o CHP; de estarem a soldo de diversas “organizações terroristas”.

Esta expressão designa a guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) ou o movimento do predicador Fethullah Gülen, acusado pelas autoridades de Ancara de ter orquestrado a tentativa de golpe de Estado em julho de 2016.

Milhares de pessoas foram perseguidas ou condenadas na Turquia nos últimos anos por insultos a Erdogan, um crime passível de um a quatro anos de prisão.