O governo venezuelano deteve um jornalista com nacionalidade espanhola que Nicolás Maduro acusa de ter planeado o apagão que mantém mais de metade da Venezuela sem acesso à eletricidade desde a última quinta-feira.

Luis Carlos Díaz, jornalista da Unión Radio, saiu dos estúdios da emissora na segunda-feira às 17h locais (21h em Lisboa) e desde então nunca mais se soube do seu paradeiro.

Foi a mulher de Díaz, Naky Soto, quem deu o primeiro alerta público, através do Twitter, onde escreveu: “Perdi contacto com o Luis Carlos às 17h30, quando me disse que vinha a casa descansar porque esta noite iria fazer um turno especial na Unión Radio desde as 22h até às 5h”.

“O Luis Carlos não chegou e não me preocupei porque assumi que preferiu aproveitar a eletricidade e a ligação à internet da Unión Radio, ficando lá, mas há meia hora telefonaram-me para avisar que estavam a procurá-lo porque não está na emissora”, continuou a mulher.

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Naky Soto explicou ainda que o jornalista “anda de bicicleta” e que desde as 17h30 não está na rádio, nem em casa, não publicou no Twitter e não atende o telemóvel nem responde às mensagens.

Vários jornalistas ainda foram procurar o colega nas instalações do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), o serviço de informações do país, mas não conseguiram saber do paradeiro de Luis Carlos Díaz.

Foi através do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) que chegou a resposta, já durante a madrugada.

No Twitter, aquele sindicato informou: “A esta hora, 2h30, a comissão do SEBIN chega à residência do jornalista e ativista dos direitos humanos, Luis Carlos Díaz, desaparecido desde as 17h30”.

E acrescentou: “A comissão do Sebin que se apresentou na casa de Luis Carlos Díaz confirmou-nos que ele está detido neste corpo de segurança. Ao chegar à residência do colega, os jornalistas Marco Ruiz, Lila Vanorio, Federico Black B. e Luz Mely Reyes foram recebidos com armas apontadas”.

O mesmo sindicato detalhou que os serviços policiais que abordaram o jornalista fizeram buscas na casa e “levaram computadores, pen drives, telemóveis, dinheiro, entre outros”. Luis Carlos Díaz esteve presente durante as buscas, algemado. E explicou aos colegas que foi agredido quando foi detido, às 17h30, quando saiu da rádio.

Luis Carlos Díaz continua sob custódia das autoridades.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, já veio condenar a situação, lamentando que continue “a perseguição aos jornalistas” no país.

Como explica o jornal espanhol ABC, o regime de Nicolás Maduro acusou recentemente o jornalista Luis Carlos Díaz de estar por trás da preparação do alegado ataque informático que estará na origem do apagão que afeta mais de metade do país há mais de 72 horas.

Foi num vídeo publicado no canal do programa “Con el Mazo Dando”, produzido pelo número dois do partido de Maduro, que o regime identificou Luis Carlos Díaz como “influencer fascistóide” que motivou o ataque à rede elétrica nacional.

Como recorda o ABC, Luis Carlos Díaz, que é especialista em temas relacionados com a cibersegurança, tem vindo a ser criticado pelo regime de Maduro depois de denunciar que a CANTV — empresa pública que é a principal fornecedora de serviços de internet na Venezuela — roubava dados pessoais de quem se inscrevia numa plataforma de voluntariado que criou para ajudar a distribuir ajuda humanitária no país.