Um ex-soldado paraquedista britânico vai ser julgado pelo homicídio de dois homens (e tentativa de homicídio de mais quatro) durante o chamado massacre do Domingo Sangrento na Irlanda do Norte, o confronto entre manifestantes católicos, protestantes e o exército inglês, em Londonderry, no dia 30 de janeiro de 1972.

O homem que ficou conhecido como “Soldado F” foi, porém, o único entre 17 homens que poderiam ter sido acusados — nos outros 16 casos o ministério público não considerou ter provas sólidas para fazer a acusação. Não é conhecida a identidade do acusado nem dos outros suspeitos, pelo que se utilizam as designações atribuídas a cada um durante um inquérito que foi feito aos acontecimentos de 1972.

Foi um dos dias mais negros da disputa entre a Irlanda do Norte e o restante Reino Unido, acabando com 13 mortos, seis dos quais menores — todos estavam desarmados e alguns foram alvejados pelas costas. Os manifestantes que se reuniram naquele dia não terão sido avisados antes de as tropas abrirem fogo.

Os familiares dos mortos, que já reagiram à decisão, mostraram-se “dececionados” porque “nem todos os responsáveis vão enfrentar julgamento”. Já os procuradores lamentaram que os familiares não tenham concordado com o resultado do inquérito, mas “como procuradores temos de ser objetivos na nossa abordagem”.