O impacto da chegada de Cristiano Ronaldo à Serie A foi evidente desde o primeiro dia. Para a Liga italiana, para a Juventus. Um golo do português é muito mais do que “apenas” um golo do português. As receitas de merchandising aumentam (só no primeiro semestre subiram 71% em relação ao período homólogo), as audiências disparam, as ações dos bianconeri sofrem quase de forma instintiva. Se é assim com um golo, imagine-se com dois. E com três. Na Liga dos Campeões. Frente ao Atl. Madrid. Decisivos. Em direto para todo o mundo. Aos 34 anos, o avançado é uma preciosidade e continua a ser tratado como tal.

A bicicleta criou a paixão, o hat-trick consolidou o amor: um ano depois, Turim deu uma segunda vida a Ronaldo

No rescaldo da fantástica reviravolta da Vecchia Signora na receção ao Atl. Madrid da última terça-feira, e tendo como contexto os 18 pontos de avanço sobre o Nápoles, a imprensa italiana contou que o técnico Massimiliano Allegri esteve reunido com CR7 e terão escolhido já todos os encontros que, em condições normais, o português fará até aos quartos da Liga dos Campeões, frente ao Ajax. “Ele necessita de descansar, jogou muito e ainda foi chamado à Seleção. Decidimos quais os jogos que vai disputar antes dos quartos de final da Champions mas obviamente que não vou ainda dizer quais são”, assumiu o treinador. Para os adeptos da Juventus, não faz grande diferença; para os adeptos do futebol, faz a sua diferença; para os adeptos que tinham já bilhete para a receção do Génova ao campeão italiano, na 28.ª jornada, fez mesmo muita diferença.

De acordo com o Corriere della Sera, vários portadores de ingressos para esta partida foram pedir a devolução do dinheiro às instalações do clube, alegando que tinham comprado bilhete porque queriam ver ao vivo Cristiano Ronaldo. Mais curioso ainda, grande parte dos queixosos eram adeptos da casa. Já antes, os bilhetes do Parma-Juventus chegaram a atingir os 450 euros a uma semana do encontro e o Frosinone-Juventus tinha entradas no próprio dia a quase 800 euros. Tudo porque o português estaria em ação; caso contrário, seria apenas mais um jogo, mais um bilhete e mais um preço igual a todos os outros.

Dentro de toda esta Ronaldomania que foi potenciada com o hat-trick apontado frente ao Atl. Madrid, existe um outro ponto curioso que diz muito sobre os objetivos do jogador português para a presente temporada. Também por causa da longa série de encontros consecutivos a marcar fora, CR7 colocou-se na frente da corrida pelo melhor marcador da competição (algo que lhe valerá mais uma “simpática” quantia, como ficou acordado no contrato) mas a fantástica temporada do veterano Quagliarella – que depois de uma série com 14 golos em 11 jogos consecutivos esteve três partidas sem marcar e voltou agora cinco golos em quatro partidas – colocou esse objetivo em risco, com 21 golos para o capitão da Sampdória e 19 para Ronaldo e Piatek, antigo dianteiro do Génova que se mudou para o AC Milan em janeiro. O madeirense parece conviver bem com isso, tendo como meta bem definida a Liga dos Campeões (até porque a Serie A é uma questão de tempo até ficar garantida), mas nem por isso enjeitará a possibilidade de, quando estiver em campo, somar mais um recorde individual à longa lista já alcançada.

No meio de  tudo isto, o Génova-Juventus acabou por ser um jogo mais incaracterístico e onde Allegri voltou a experimentar um esquema de três centrais com Cáceres, Bonucci e Rugani, ficando João Cancelo e Alex Sandro a fazer todo o corredor (sendo que, com os mesmos jogadores, o técnico poderia passar para uma defesa a quatro com Cáceres na direita e subir o português na ala). Além de Ronaldo, Szczesny, Chiellini, Spinazzola e Bernardeschi também ficaram de fora em relação aos titulares com o Atl. Madrid, abrindo vaga para outras estrelas como Betancur ou Dybala, o capitão. Ainda assim, e na primeira parte, houve muito poucas oportunidades e sempre para os visitados, com destaque para uma defesa de Perin a Sarabia (15′). O lateral português Pedro Pereira (ex-Benfica), titular e a cumprir 90 minutos, voltou a fazer um bom jogo.

A primeira parte tinha sido fraca e esperava-se mais do campeão italiano, até por dois motivos paralelos: o Génova tinha sido a primeira de três equipas a tirar pontos à Juventus no Campeonato (nona jornada, seguindo-se Atalanta e Parma) e havia esse objetivo de manter a série sem derrotas na Serie A. A Juventus melhorou, com uma alteração que agitou o jogo ofensivo da equipa e que passou pela colocação de João Cancelo na ala esquerda à frente de Alex Sandro. E só não passou para a frente do marcador aos 55′ porque um golo de Dybala após assistência do português acabou por ser anulado pelo VAR. Depois, saiu Cancelo e entrou Bernardeschi mas o risco que Allegri queria assumir acabou por não ter resultados práticos. E seria o Génova a crescer em campo, a voltar a chegar à área contrária e a inaugurar o marcador por uma cara… que podia ser conhecida.

Ronaldo marca e bate mais um recorde no dia em que um ex-jogador do Olhanense “empatou” a Juventus

Stefano Sturaro, internacional italiano de 26 anos que foi contratado pelo Sporting à Juventus por empréstimo no verão, nunca chegou a fazer qualquer jogo em Alvalade porque mal assinou foi operado ao tornozelo e, mais tarde, voltou a ser alvo de nova intervenção cirúrgica. Tudo em Turim, longe de Portugal. Na reabertura de mercado, os leões chegaram a acordo para terminar o vínculo com o médio, que viria a assinar pelo Génova pouco depois (cedência com opção de compra obrigatória). Este domingo, depois dos primeiros testes na equipa reserva, Sturaro entrou em campo e, na primeira vez que tocou na bola, rematou para o 1-0, num lance onde Perin podia ter feito mais. E a confirmação da primeira derrota da Juventus na Serie A (no primeiro jogo em que Ronaldo não foi convocado) chegou a oito minutos do final, já com Miguel Veloso (outro antigo jogador do conjunto verde e branco) em campo para dar outra capacidade de gestão no meio-campo, quando Pandev apontou o 2-0. Os bianconeri, que não sofriam uma derrota na Serie A desde abril de 2018, voltaram a cair também pela falta do seu goleador.