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Google. Em resposta à Comissão Europeia, Android vai passar a perguntar ao utilizador que browser quer instalar

Prestes a ter mais uma coima milionária da Comissão Europeia e em resposta aos 4.300 milhões de julho, a Google promete alterações no Android e vai perguntar ao utilizador que browser quer instalar.

O Google Chrome é o browser mais utilizado nos telemóveis, com 56,74% da taxa de mercado, segundo o Statcounter. A seguir, apenas o Safaria, com 21,29%, que funciona apenas no iOS

AFP/Getty Images

Dona do Android, o sistema operativo móvel mais utilizado em smartphones em todo o mundo, e tendo o iOS, da Apple, praticamente como único concorrente, a Google vai passar a perguntar aos utilizadores dos seus telemóveis que browser querem instalar.  É a resposta aos que, como a Comissão Europeia, afirmam que a empresa que tem o monopólio dos motores de pesquisa, também tem o dos sistemas operativos móveis browsers. O anúncio foi feito esta terça-feira feira, numa publicação, depois de o Financial Times ter avançado que a tecnológica americana prepara-se para receber mais uma coima da União Europeia por abuso de posição dominante, devido às táticas de publicidade online. Com a decisão, a Google diz que passará a sugerir vários browsers para “que os donos de um telefone Android conheçam as opções de escolha”.

Ao longo dos últimos anos, fizemos também alterações — ao Google Shopping; às nossas licenças de aplicações mobile e também no AdSense para a Pesquisa 一 em resposta directa às preocupações formais levantadas pela Comissão Europeia.  Desde essa altura, temos escutado, atentamente, o feedback que temos tido, quer da Comissão Europeia quer de outros. E em resultado disso, ao longo dos próximos meses iremos fazer mais atualizações aos nossos produtos na Europa”, afirma Kent Walker, vice-presidente de assuntos globais da Google.

No passado, o mesmo cenário já aconteceu de forma algo semelhante com outro gigante, a Microsoft. No sistema operativo Windows para PC, que vinha com o Internet Explorer instalado de origem, depois de várias batalhas legais com o NetScape e, posteriormente, com o Firefox, passaram a ser propostos aos utilizadores vários browsers para instalar. Agora, com a navegação em sistemas móveis a constituir a maioria do tráfico online, e sendo o Android o sistema mais utilizado, os serviços de pesquisa da Google e o browser Chrome são a predefinição na instalação para a maioria das empresas de smartphones. Isto faz com que acabem por ser os mais utilizados, levando a Google optar pela mesma medida.

Após a decisão da Comissão Europeia de Julho de 2018, mudámos o nosso modelo de licenciamento para as aplicações Google que desenvolvemos para utilização nos telefones Android, criando licenças novas, separadas, para o Google Play, para o browser Google Chrome e para a Pesquisa Google. Ao fazermos isto, mantivemos a liberdade para os fabricantes de smartphones instalarem qualquer aplicação alternativa juntamente com a aplicação da Google”, Kent Walker.

A Google afirma que os seus produtos promovem “mercados abertos e competitivos”, mas com a barra de pesquisa e o browser pré-instalado em inúmeros smartphones Android, a Comissão Europeia tem defendido que não é oferecida uma verdadeira escolha ao consumidor. No passado, houve parcerias com fabricantes de smartphones em que, no ecrã inicial, nem sequer era possível desinstalar a barra de pesquisa da empresa. Contudo, com o Android a permitir o corte de custos a muitas empresas de telemóveis, por poderem contar com este software para ser a base dos seus smartphones, a Google defende que estimulou o crescimento deste mercado.

Nos telefones Android, sempre foi possível instalar qualquer motor de pesquisa ou browser que um utilizador quisesse, independentemente do que vem pré-instalado num telefone quando é comprado”, diz a Google em sua defesa.

Para já, a medida vai ser aplicada apenas na Europa, o que acontecerá “nos próximos meses”. A Google, porém, não avança mais informações sobre como é que esta vai funcionar para fabricantes de telemóveis como a Xiaomi, a Samsung ou a Huawei, que são das mais vendidas do mundo e utilizam por base o software Android, mas fazem alterações de funcionalidades — instalando, por predefinição, os browsers proprietários destas marcas, e não o Chrome. A opção pode passar por a Google passar a exigir que as empresas que se baseiem no Android tenham de oferecer esta opção na configuração inicial aos consumidores na União Europeia. Contudo, ficam mais dúvidas: depois, para instalar, a Google também vai sugerir outras lojas de aplicações além da Play Store, de que é proprietária?

Esta medida surge numa altura em que se espera que, na próxima semana, a Comissão Europeia aplique à Google mais uma coima por abuso de posição dominante, desta vez com o AdSense. No passado, a Google impunha que quem quisesse utilizar o sistema de pesquisa da Google nos sites, apenas o podia fazer se utilizasse apenas este serviço de publicidade digital da empresa. A Google alterou estas imposições em 2009, mantendo outras até 2016, mas a Comissão pode sancioná-la por não ter permitido o desenvolvimento de concorrência neste período.

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