Depois de Portugal empatar com a Ucrânia, de Inglaterra bater a República Checa com um hat-trick de Sterling e de a França campeã do mundo golear a Moldávia, era tempo de Espanha e Itália entrarem em campo na primeira jornada da qualificação para o Campeonato da Europa 2020. Pelo meio, Lionel Messi ainda teve tempo de perder com a Venezuela no regresso à seleção argentina e, já este sábado, o Brasil jogou um particular com o Panamá no Estádio do Dragão, com Neymar a assistir a partir das bancadas. Tudo somado, um dia de futebol que trouxe vitórias para espanhóis e italianos mas alguma desilusão aos brasileiros.

A seleção espanhola, que atravessa uma fase em que tenta exorcizar os fantasmas do Mundial, da saída de Lopetegui, da chegada e partida de Hierro e da escolha de Luis Enrique, está inserida no Grupo F do apuramento (onde também estão Suécia, Noruega, Ilhas Faroé, Roménia e Malta). Este sábado, em Valencia, Espanha recebia a Noruega de Odegaard — médio que pertence aos quadros do Real Madrid, está emprestado ao Vitesse mas tem selo de retorno desde que Zidane voltou ao Bernabéu — e começou a vencer logo aos 16 minutos, com um golo do ex-Benfica Rodrigo.

O antigo avançado do Benfica inaugurou o marcador contra a Noruega

Os noruegueses empataram já na segunda parte, com uma grande penalidade convertida por Joshua King, mas a vitória espanhola acabou por ser confirmada pelo inevitável Sergio Ramos, que marcou o golo decisivo também de penálti. Depois de assumir o papel de líder de balneário durante a crise do Real Madrid que acabou por dar guia de marcha a Solari e chamar por Zidane, o defesa central lembrou que é um dos últimos jogadores da geração que conquistou os Europeus 2008 e 2012 e o Mundial 2010 a representar a seleção (a par de Jordi Alba e Busquets) e que ainda é dele — de forma única e intransmissível — o rótulo de figura maior de uma La Roja em período de renovação.

Outro gigante europeu também em fase de makeover é a Itália: Roberto Mancini tomou conta da seleção italiana após a escandalosa ausência do Mundial 2018 e tenta agora garantir a presença no Euro 2020, algo que é considerado absolutamente obrigatório para uma equipa que foi vice-campeã da Europa há apenas sete anos e campeã do mundo há 13. Para isso, o treinador que deu início ao período mais bem sucedido do Manchester City em Inglaterra conta agora com uma nova vaga de jogadores que não só está a impressionar a Europa e a dar valor acrescentado a Serie A como é a principal ferramenta da squadra azzurra para o regresso aos voos mais altos. Moise Kean, colega de Ronaldo e Cancelo na Juventus, Zaniolo, que bisou contra o FC Porto na Liga dos Campeões, Barella, médio do Cagliari, e o guarda-redes Donnarumma, dono das redes do AC Milan, são os nomes maiores de uma Itália que procura voltar a ser um dos adversários mais temidos em fases finais de Mundiais ou Europeus.

O avançado da Juventus estreou-se a marcar pela equipa principal da seleção italiana

Na qualificação para o Euro 2020, os italianos estão no Grupo J com a Grécia, a Bósnia, a Arménia, a Finlândia e o Liechtenstein. Este sábado, em Udine, a Itália recebia a seleção finlandesa e apresentava um onze onde coexistiam a jovialidade de Kean, Barella e Donnarumma e a experiência de Chiellini e Bonucci (e onde também estava o ex-Sporting Cristiano Piccini). Barella, médio de 22 anos do Cagliari inaugurou o marcador logo aos sete minutos e Moise Kean, que ainda há poucas semanas se tornou o primeiro jogador nascido em 2000 a marcar na Serie A, estreou-se a fazer golo pela equipa principal de Itália já no último quarto de hora. Mancini, enquanto babysitter de uma geração de novos talentos que pode muito bem reavivar uma Itália adormecida, tem nas mãos a melhor vaga de jogadores italianos dos últimos anos e tem tudo para agarrar o apuramento e fazer boa figura no verão de 2020.

Noutros campeonatos, o Brasil jogou um particular com o Panamá no Estádio do Dragão e Neymar, lesionado, esteve nas bancadas do FC Porto a assistir à partida. A seleção de Tite, que contava os dragões Alex Telles e Éder Militão no onze inicial, não conseguiu ir além de um empate com a equipa que em 2018 se estreou numa grande competição: Lucas Paquetá, a coqueluche do AC Milan, abriu o marcador para os brasileiros mas o Panamá precisou de pouco mais de meia hora para anular a desvantagem, com um golo de Adolfo Machado. Depois de Baloy se emocionar quando marcou o primeiro golo da seleção panamiana num Mundial — na Rússia, contra a seleção inglesa –, foi a vez do jogador dos Houston Dynamo também dar largas à emoção logo após fazer história. É que, ao quinto jogo, o Panamá não perdeu com o Brasil.