Equipas da Cruz Vermelha Internacional e da União Europeia reforçam a partir desta segunda-feira no terreno, em Moçambique, o apoio médico e a resposta de emergência às populações afetadas pelo ciclone Idai, segundo as duas organizações. A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês) anunciou a chegada de uma Unidade de Resposta de Emergência que irá disponibilizar cuidados médicos a 20 mil pessoas diariamente.

Uma nova equipa de emergência, que irá fornecer água potável diariamente a 15 mil pessoas, deverá chegar ao país nos próximos dias. “Depois de um desastre desta magnitude, a velocidade, qualidade e dimensão da resposta é crítica para impedir a propagação de doenças”, disse o secretário-geral da IFRC, Elhadj As Sy, durante um encontro com a imprensa realizada hoje nas Nações Unidas, em Genebra. Elhadj As Sy assinalou que, à medida que as águas começam a baixar, “milhares de pessoas continuam sem acesso a água, abrigo ou cuidados de saúde”. “Conseguimos ver agora mais claramente as reais consequências deste desastre”, acrescentou.

O responsável adiantou que estão também a caminho de Moçambique dois hospitais de campanha com capacidade para fornecer serviços médicos, incluindo cirurgias de emergência, a pelo menos 30 mil pessoas. Ainda hoje sairá de Genebra um avião com uma equipa de logística de emergência para assegurar que os donativos em bens são recebidos, encaminhados na alfandega e transportados para o destino pelos voluntários da organização.

A IFRC elevou, entretanto, de 10 milhões (8,9 milhões de euros) para 35 milhões de francos suíços (cerca de 31 milhões de euros), o pedido de ajuda de emergência. De acordo com a organização, estes fundos irão permitir apoiar a Cruz Vermelha de Moçambique no fornecimento de ajuda de emergência a 200 mil pessoas nos próximos 24 meses.

Também no terreno está, a partir de hoje, a Missão de Assistência da União Europeia, depois de na passada sexta-feira ter sido acionado o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (EUCPM) a pedido de Moçambique. Segundo fonte da UE em Moçambique, a missão deverá permanecer no terreno durante três semanas.

A equipa de assistência da UE é composta por 10 membros da Proteção Civil da UE (EUCPT), dois agentes de ligação do Centro de Coordenação de Resposta a Emergências (ERCC) da Comissão Europeia e um especialista em barragens. Ao abrigo do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia vários estados-membros enviaram meios para Moçambique, nomeadamente Portugal, Alemanha, Dinamarca, Luxemburgo, Itália, Espanha, Reino Unido e França.

Equipamentos de purificação de água, de comunicações, equipas médicas, equipas e equipamentos de resgate e salvamento e apoios em dinheiro foram algumas das contribuições destes estados-membros, num total de 60 mil itens de socorro e sete equipas de especialistas com equipamentos.

De acordo com as Nações Unidas, o ciclone Idai afetou 1,85 milhões de pessoas em Moçambique, estimando-se que mais de 480 mil tenham sido desalojadas pelas cheias que submergiram e destruíram uma área de mais de 3.000 quilómetros quadrados.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 762 mortos, segundo os balanços oficiais mais recentes. Em Moçambique, o número de mortos confirmados subiu hoje para 447, no Zimbabué foram contabilizadas 259 vítimas mortais e no Maláui as autoridades registaram 56 mortos. O governo moçambicano adiantou que estes números ainda são provisórios, já que à medida que o nível da água vai descendo vão aparecendo mais corpos.