A primeira-ministra britânica Theresa May sublinhou à entrada da reunião do Conselho Europeu a sua vontade de que o Reino Unido possa sair da União Europeia (UE) “o mais cedo possível”, de preferência ainda em maio, desvalorizando a data oficial do adiamento que pode ser concedido ao país pelos líderes europeus.

“Estou aqui para falar do pedido de adiamento curto que fiz [até 30 de junho]”, confirmou a primeira-ministra aos jornalistas à entrada da cimeira. “Creio que o que interessa é que possamos sair da UE assim que o Parlamento aprove o acordo, o que significa que podemos sair a 22 de maio”, sugeriu a primeira-ministra, ao ser confrontada com a possibilidade de os líderes europeus preferirem uma extensão mais longa, possivelmente até 2020.

Pedi uma extensão para 30 de junho, mas o importante é que, seja qual for a extensão, nós possamos sair assim que tivermos um acordo”, sublinhou May aos jornalistas.

Theresa May repetiu ainda a ideia de que o Reino Unido ainda não saiu da UE apenas por causa da ação do Parlamento britânico:”Sei que muitos estão frustrados por a cimeira estar a acontecer de todo, porque o Reino Unido já deveria ter saído”, disse. “Já poderíamos ter saído, mas o Parlamento não aprovou o acordo.”

A primeira-ministra esclareceu ainda que as conversações com o Partido Trabalhista têm sido “sérias” e assegurou que o diálogo prosseguirá esta quinta-feira. “Estou a trabalhar para garantir que podemos sair da UE no prazo que o Governo quer”, assegurou uma vez mais, recusando-se a responder a uma pergunta sobre a possibilidade de se demitir caso a extensão concedida vá para lá de 30 de junho.

A cimeira europeia de líderes tem início marcado para as 17h (hora de Lisboa). Theresa May deverá começar por expor aos restantes líderes dos 27 países da UE os seus argumentos para que lhe seja concedido um adiamento do Brexit até 30 de junho. De seguida, os restantes políticos e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, irão conversar ao longo de um jantar de trabalho para acertar posições e decidir qual a posição da UE face a esse pedido.

À entrada do Conselho Europeu, líderes europeus dividem-se: extensão curta ou longa?

“Não tenho dúvidas de que o Reino Unido não vai sair na sexta-feira. A questão é se a extensão será curta ou longa e em que circunstâncias será concedida.” O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, pôs os pontos nos is ao deixar claro, na chegada ao Conselho Europeu, sobre o que será discutido na reunião desta quarta-feira.

A dúvida para os líderes europeus é, de facto, a duração dessa extensão, como foi deixando claro pelos políticos que foram chegando e falando aos jornalistas e que assumiram algumas posições diferentes. Varadkar diz manter “uma mente aberta” e discutir as duas opções, tal como fez o homólogo da Letónia, Krišjanis Karinš, afirmou não ver com reservas nenhumas a possibilidade de um adiamento, seja ele qual for: “Se os britânicos estão a pedir um bocadinho mais de tempo para pensar, então eles devem tê-lo”, declarou, afirmando que continuam em cima da mesa três hipóteses — um acordo, um no deal ou “a revogação do Artigo 50”.

Já Stefan Löfven, primeiro-ministro sueco, reconheceu que há muita “frustração” pela situação atual e defendeu que “é tempo de concluir isto”. Questionado sobre se preferia um adiamento curto ou longo, Löfven admitiu que é preciso “olhar para as duas possibilidades”, mas levantou reservas a uma extensão mais prolongada: “Temos de ter a certeza que a legitimidade e a integridade das instituições europeias não são beliscadas. E quanto mais longa a extensão, maior o risco”, afirmou.

O primeiro-ministro checo, por seu turno, defendeu abertamente um adiamento prolongado, dizendo que gostaria que o Reino Unido “tivesse muito mais tempo do que o esperado”. Acima de tudo, Andrej Babis confessou que gostaria que a discussão desta noite “fosse curta” e que não durasse oito horas como na cimeira passada.

As palavras mais duras vieram do Presidente francês, Emmanuel Macron, que manteve o tom ríspido que tem assumido nos últimos dias: “Temos um renascimento europeu para alcançar e não quero que o Brexit nos venha bloquear. O tempo de decidir é agora. É com muita impaciência que vou ouvir Theresa May. Nada está decidido”, afirmou.

António Costa: Portugal defende “extensão tão longa quanto necessária”

O primeiro-ministro português, António Costa, defendeu claramente um adiamento prolongado do Brexit: “Devemos agora acordar uma extensão tão longa quanto necessária para que o Reino Unido possa ter uma posição final e consequente sobre esta questão e espero que seja isso que o Conselho permita”, afirmou Costa na chegada ao encontro, acrescentando que só Londres pode saber qual é “a extensão dessa necessidade”.

“A grande prioridade é dar confiança aos cidadãos e às empresas de que evitamos a todo o custo o risco de um não acordo e que temos de conduzir todo este processo tendo em conta que o principal objetivo é termos no futuro a relação o mais próxima possível com o Reino Unido”, sublinhou Costa, tendo repetido posteriormente essa mesma frase em castelhano, em resposta aos jornalistas espanhóis.

Questionado pelos jornalistas sobre se já sofria de fadiga com o tema Brexit, Costa acrescentou que nunca se sente “cansado da Europa”.

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